chuva

Acho que tenho saudades do outono, do outono que tem as ruas cobertas de folhas de arvores amarelas, o cheiro de castanhas e fresquinho agradável.
E por estranho que pareça, tenho saudades de um inverno bem rigoroso, com mesmo muito frio e o desejo de ter uma lareira em casa.
Mas ao menos choveu, mas para além de saber sinto que tem de chover muito, mas muito mais.
Não só pelo que sabemos dos fogos, seca, etc., mas para lavar tudo, lavar as almas, lavar as lagrimas, lavar estas cidades, este pó, esta apatia, isto tudo.
Mas com esta chuva, esta pouca chuva, veio um cheiro horrível, abro a porta de manhã e sou confrontada com um cheiro de cuecas molhadas e terra queimada. Como também por aqui ardeu muita coisa, agora com a chuva ficou um cheiro terrível no ar, algo salobro, algo que tem de ser bem lavado, enxaguado e centrifugado, tenho ganas de meter o planeta da maquina de lavar, de retirar com cuidado tudo o que é sensível neste mundo, e meter o resto no programa da roupa branca e com muita lixivia.
Tem de chover mais, muito, muito mais.
