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Lolita no Arame

Lolita no Arame

27
Mar19

O outro mal deste novo mundo

lolita

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Lembram-se de um outro post que escrevi aqui sobre os estagiários?

Ora descobri o outro mal deste novo mundo, é o Google.

E perguntam vocês porquê?

Porque ainda no último post escrevi que não sei e honestamente não gosto de ensinar nada a ninguém. Mas não imaginam a raiva que me dá o Google, é que se não ensino, a minha chefe vai logo ao google e fica o resto do dia a ver vídeos no youtube sobre como isso se faz.

Na verdade, não me dá raiva nenhuma nem me chateia nada. É só que eu não sou assim.

Sou de outra geração. Se não sei algo que devia saber tenho vergonha e vou tentar aprender, mas não no local de trabalho, pesquisar coisas no Google, na minha cabeça é batota.

Estou mesmo ultrapassada, mas não tenho qualquer vontade de mudar, na verdade ver vídeos no  youtube é algo que me aborrece, vloggers é coisa que não compreendo (ok, eu compreendo, mas acho chato, e já nem compreendo metade das supostas piadas), ainda gosto e sempre vou gostar de um livro, de tentar imaginar algo, até uma solução para um problema, aprender por mim, mesmo que depois eu faça algo diferente de todos os outros. E gosto de ler, ler e imaginar, ver alguém a falar ou a fazer, não me entusiasma, entes pelo contrário, chateais. Eu já nem tenho paciência para os vídeos dos gatinhos a fazer palhaçadas… estou mesmo "cóta".

21
Mar19

Sou difícil

lolita

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Sempre foi difícil para mim partilhar conhecimento.

Não sei porquê, não me acho uma pessoa sem empatia, ou outra coisa no género.

Se calhar tem haver com o facto de estudar ter sido tão difícil, principalmente algumas disciplinas, mas eu não desistia, batalhava, lutava e lá tentava compreender as coisas, para poder ter boa nota nos testes e passar. Já ao que era boa tinha um pequeno orgulho nisso, e era como sendo algo que era meu, só meu, e eu não tinha muita coisa que fosse minha, só minha.

Resumindo, não sei se isto é a base desse problema.

Nunca fui boa a explicar nada a ninguém, e nunca me apeteceu ensinar nada do que eu sabia a ninguém, sempre me consegui escapar a situações dessas.

E quando no fim da universidade grande parte dos meus colegas seguiram o caminho do ensino. Também entrei nessa vaga, mas depois de ter sido aceite numa escola, bateu-me a ideia de que eu não ia de forma nenhuma conseguir ensinar! Bem, não foi só essa a razão, também tive muito medo de me apegar às crianças que não eram minhas, e só as teria durante um ano, acho que não ia ser capaz, ia-me doer demais e acabei por não aceitar.

Mas estou só a tentar dar uma pequena introdução ao meu problema atual.

Mas vou ainda voltar a trás no tempo e contar-vos de um colega (eu era chefe dele, mas gosta dele e acho que nunca me comportei como chefe, talvez esse tenha sido um dos problemas, mas eu gostava mesmo dele) e sem saber eu fui a uma entrevista que depois fiquei a saber que ele também tinha ido, e ele é que foi escolhido, claro que por melhor pessoa que eu seja eu fiquei um pouco chateada, fico sempre a pensar porquê ele e não eu, foi por ele ser rapaz? Mais novo? porquê? Acabei porque lhe perguntar como foi a entrevista dele, se tinha sido igual à minha o que é que ele respondeu. Afinal foi igual, tão igual que ele respondeu todo igual a mim, ele disse que ele é que era o meu chefe e não ao contrário, ele disse que fazia as coisas que realmente ele fazia e também disse que fazia o que eu fazia… eu compreendi a postura dele, fiquei a imaginar que o entrevistador imaginou que eu era uma grande mentirosa, ou sei lá, não interessa, acabei por se desejar boa sorte e tentei mandar tudo para trás das costas, eu queria continuar amiga dele.

Mas passado uma semana ele ligou-me a pedir-me para lhe explicar/ensinar a fazer um catálogo, eu nesse dia, estava azeda, e perguntei-lhe se ele não tinha dito na entrevista que sabia fazer? Ele respondeu que sim, na entrevista mentiu ele queria o emprego, ao que eu respondi, então agora faz e vai-te f#$%... em consecutivo, apaguei o número dele do meu telemóvel, tirei a amizade no Facebook, etc. Se agora me arrependo… que se lixe, acho que não me arrependo, mas tenho saudades dele… de vez em quando.

 

Chegando aos dias de hoje.

Acho que estou mais crescida, ou mais velha, ou mais evoluída. Quer dizer, tem dias.

É que a minha colega/chefe (com menos 20 anos), bem, ao principio ela começou a falar comigo como se estivesse a pedir uma opinião, e eu comecei a explicar um milhão de coisas, ou passado (não gozem) uns dias, é que me apercebi que não era uma opinião que ela me pedia, era mesmo saber como é que as coisas se fazem. Respiro fundo, conto a té 20 e lá explico. Mas tem dias que não consigo mesmo, quase se ando pelo escritório a fugir dela, tem dias que até respondo mal (eu quero evoluir, a sério que quero, e não me importar com estas coisas) e noutros até sou mega querida e fofa e explico e ensino tudo.

A ver como é que isto tudo (eu incluída) evoluo.

15
Mar19

Nem tudo é mau

lolita

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Depois de tanto tempo a ter trabalhado praticamente sozinha, agora finalmente tenho companhia.

Sim, é verdade que isto às vezes é um pau de dois bicos, porque nem sempre as pessoas são boa companhia, às vezes dava tudo pela companhia de um animal.

E sim, isto aqui também não são rosas.

Já sei reconhecer os sínicos e maus, e os rabos de porco (retorcidinhos até mais não), mas acho que há pessoas boas.

E lá está, depois de tanto tempo sozinha, quer no trabalho, quer desempregada em casa, eu pareço uma criança numa feira de diversões, riu-me com tudo e de tudo.

 

As minhas colegas têm todas uma média de vinte anos a menos do que eu, e isso também tem coisas boas e más.

Más, é a música, poças, a música de agora é mesmo má!

Assim-assim, é que elas (que nem eu) gostam de roupa, mas não há perigo de virmos todas de igual, quer dizer, perigo há e já aconteceu, mas não comigo, e porquê perguntam vocês? Porque a minha roupa é maioritariamente velha, 70% das minhas coisas ainda no ativo eu comprei quando elas (as minhas colegas) tinham 10 anos de  idade e suspiravam pelos Jonas Brothers, ora assim não há perigo de um dia ficarem irritadas comigo porque tenho algo igual a elas.

Bom, é poder falar com outros seres humanos, é tão bom!

Até beber um café ranhoso em copo de plástico durante 5 minutos e falar com outras almas é algo a que

eu dou graças.

09
Mar19

Ser mulher

lolita

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Não sei se já por aqui falei sobre este tema…

Na verdade grande parte da minha vida não liguei muito a isto de ser mulher. O que quero dizer com isto? Bem, julgo que volto sempre ao mesmo tema que tem cingido toda a minha vida, o dinheiro.

Em grandes questões eu via sempre a diferença entre ricos e pobres e eu sempre pertenci à segunda categoria.

E era essa a grande diferença entre os vários tipos de pessoas, era assim nas novelas, nos filmes, nas séries, na escola e no bairro. Enquanto cresci, e vamos contextualizar, na década de 80, era isto que eu via, ouvia e me debatia.

E facto de ser menina, bem, nunca pensei muito nisso. Quando comecei a pensar, voltei-me para outro tema que talvez e mais uma vez era o que eu via, na televisão, noveles, filmes, séries, escola, etc. ser mulher era tudo resumido em duas questões, ou era bonita e tinha o mundo (e isso até influenciava o facto de deixar de ser pobre, principalmente nas novelas) ou era feia, e então não havia volta a dar. E eu era pobre e sempre me achei feia.

Ok, verdade das verdades eu nunca me achei feia, mas sabia que era pequena, tinha óculos, era magra, cabelo e olhos castanhos, sem peito, sem anca, que atributo tinha eu de bonito?

E foi assim que a sociedade me educou.

Claro que era mulher tinha coisas especificas, e no meu caso más, como nenhum homem lá em casa tinha de fazer nada, e se eu me queixava de porque é que tinha de ser eu a fazer isto ou aquilo, a resposta era porque era mulher, ora isso não tinha graça nenhuma.

E ao crescer e procurar trabalho, nada me tirava da ideia que se aparecesse um homem, ou uma mulher “bonita” o emprego nunca iria ser meio. Nem nunca questionei as minhas capacidades, mas sempre tomei como dado adquirido que eu ser melhor nunca interessou para nada nesta vida, o mundo era dos homens e das mulheres bonitas.

E no local de trabalho sempre vi o respeito ir para os homens os grupos de homens, ou então para as mulheres casadas e a cima destas as que eram mães, mas em primeiro lugar sempre os homens. E por mais que isto me irritasse, eu sabia que estava no fim da pirâmide.

 

Mas hoje mulher ou homem à parte, eu não quero igualdade.

Sei que isso é impossível, até porque sei que os homens são diferentes das mulheres, são e pronto, nem vamos entrar por essa temática.

 

EU QUERO RESPEITO!

 

Eu hoje, em 2019, quero o mesmo que as mulheres em 1857 (quando o dia 8 de Março ficou marcado em homenagem às 130 mulheres que morreram a reivindicar direitos de trabalho iguais aos homens) quero respeito, quero o mesmo dinheiro, ainda quero o PÃO E ROSAS, quero estabilidade económica porque trabalho, quero qualidade de vida porque trabalho. QUERO RESPEITO porque sou uma mulher, não sou uma gaja, não sou uma puta, não sou vaidosa, não sou fraca, não sou coscuvilheira e bisbilhoteira, não sou consumista, não sou má condutora, não sou porca ou badalhoca, não sou esses nomes todos e coisas todas que os homens ainda hoje e apesar de todos terem mães pensão isto das mulheres, e na verdades ou isso tudo, porque porra, sou diferente de um homem, é verdade, sou diferente, sou mulher, e QUERO RESPEITO, QUERO SER RESPEITADA.

04
Mar19

Fim-de-semana infernal

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E perguntam vocês porque é que o meu fim-de-semana foi infernal?

Porque não preguei olho!

Não sei se é do stress, de ter finalmente comprado uns óculos, eu estou mesmo a precisar de óculos, mas o problema é que acabou por ficarem em metade do meu ordenado, o qual eu ainda nem recebi, eu tentei cortar ao máximo no preço deles, mas mesmo assim ficou por metade do meu ordenado. Porque é que eu só estou a dizer isto? Porque não faço ideia em como sobreviver ao resto do mês.

Eu que usei óculos desde os meus cinco anos de idade não consigo compreender porque é que agora os óculos são tão caros! De certeza que á quarenta anos atrás os óculos não eram assim tão caros, não consigo imaginar os pobres dos meus mais a darem sessenta contos por uns óculos para a filha, impossível, eu que só vestia roupa dada por vizinhos.

Uma vez tive de ir ao dentista, no final da consulta pediram vinte contos à minha mãe, e lembro-me até hoje da cara de pânico dela, que com uma rapidez que eu não julgava possível, agarrou-me na mão e desatou a correr… nunca mais lá voltamos.

 

Sim, ainda pensei em meter-me num call-center à noite para conseguir mais algum dinheiro, mas eu ando tão estupidamente cansada.

Cansada e stressada, e como resultado, este fim-de-semana não preguei hoje numa única noite, nada, se olharem para a minha cara até parece que fui vítima de violência doméstica durante o fim-de-semana.

Mas como já não aguento mais, e para não estar no local de trabalho com um temperamento impossível de aturar, lá fui eu agarrar-me aos meus comprimidos SOS para a ansiedade, depressão e afins.

O mais provável é ficar aqui no trabalho a dormir o resto doo dia.

A ver vamos.

01
Mar19

Devem-me ter feito uma macumba

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Devem-me ter feito macumba, é que eu não ando com uma pouca sorte.

Sei que andei por aqui a queixar-me e a chorar que não tinha dinheiro e agora que arranjei emprego, só ando a chorar e a queixa-me, pois ainda tenho menos dinheiro, é que sinto que assim não me apetece mesmo nada trabalhar, se isto não sobra nem um cêntimo para ficar para o mês seguinte… nem chega até ao meio do mês.

Comecei a trabalhar e já tinha o seguro do carro em atrasado para pagar, quando recebi depois de pagar o seguro fiquei apenas com um quarto do ordenado, que não deu para o resto dos gastos.

Depois fui ao oftalmologista (que devia ir de seis em seis meses, e já não ia á ano e meio) e tenho de usar óculos e fazer uma operação.

Foi pesquisar os preços dos óculos e ia-me dando uma travadinha.

Sei que já não comprava óculos á alguns anos, mas o preço só das lentes está um autêntico absurdo, e mais a armação, que a mais barata que encontrei foi de 60€, fica tudo numa fortuna.

Como se não andasse preocupada em como é que vou arranjar dinheiro para comprar os óculos, chego um dia a casa e tenho mais uma fantástica supressa. UMA CARTINHA DA SEGURANÇA SOCIAL. Então não é que me deram dinheiro a mais no subsídio de desemprego de 2015 e agora querem que eu pague. Parece simples, não é, mas eu acho que não é justo, primeiro já passaram quatro anos, segundo eu não sabia que tinha recebido a mais, terceiro se não pagar num prazo de 10 dias, tenho depois de em vez dos 37€ da divida, pagar 438€, não consigo compreender isto. Liguei para a Segurança Social, e a chamada acabou com a funcionária aos gritos comigo, pois não podem dar mais informações por telefone, e eu reclamei porque acho mal, pois quem trabalha tem de perder algumas horar (ou um dia) para ir a um balcão resolver isto.

Como nem é muito dinheiro desta vez, resolvi pagar logo, vai-se o dinheiro, mas não tenho mais chatices em marcar e ir e perder tempo para um balcão e provavelmente ficar na mesma.

Resolvido esta chatice, chego a casa e tenho uma carta do seguro de saúde, a dizer que só me pagam metade da operação à retina… ando eu a pagar-lhes 43€ ao mês, e agora só me pagam metade de uma operação vital que custa 400€.

Desculpem todos estes desabafos, mas é que o ordenado simplesmente não chega para nada disto, muito menos para o supermercado para comprar comida.

Como é que as outras pessoas conseguem.

Eu sei que apesar de ter andado na universidade e ter vinte anos de experiência a trabalhar na minha área, agora recebo menos que um cantoneiro com a quarta classe que trabalhe para o estado.

Desculpem, não quero de todo dizer que uns são mais do que os outros, não me interpretem mal, por favor.

Eu só não sei mesmo como hei de arranjar dinheiro para sobreviver…

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