Ok, não é bem sentada à frente da televisão, é mais à frente do computador.
Mas que hei-de eu fazer?
Estou deprimida, o tempo está deprimente, não me apetece fazer nada, assim “apago” por um bocado entrado noutros mundos diferentes do meu.
Assim, sobre o meu post anterior, vi a Anne de empreitada, estava tão viciada que julgo que em três dias despachei duas temporadas, até me esquecia de almoçar e de ir à casa de banho. Sei que já não tenho idade para estas coisas, mas que se lixe, ao menos, chorei, ri, SENTI!
E de modo a não fugir a esta espécie de onde de revivalismo, comecei a ver a nova Sabrina.
Já muito se especulou e falaram sobre isto aqui pela web.
Mas para vos ser sincera, sei que vi o gostava da antiga Sabrina, mas não me perguntem pela história, ou de que se tratava todos os episódios. Lembro-me que ela era uma bruxa adolescente que vivia com duas tias (como de resto todos os heróis de banda desenhada, a grande maioria é órfã, e só de falar em órfã lembro-me da Anne e já tenho saudades), mas o que me lembro mesmo da série original era do gato, a marioneta que falava e tinha sempre uma tirada sarcástica.
Afinal sempre gostei de fantoches, marionetas, ai o que os gosto dos Maretas, do Alf e sim, do gato da Sabrina, como vos digo, não me lembro das histórias dos episódios, provavelmente o que eu gostava de ver era o gato… se o Alf apanhasse o gato da Sabrina havia de ser bonito! EHEHE
Ok, desculpem, comecei a divagar.
Não quero de todo entrar em discussões sobre a série original e a nova, é verdade que sou “purista” em algumas coisas, quando se pega no livro e se estraga tudo para fazer um filme ou uma série também me irrito, mas aqui eu vejo apenas como pegar na base e fazer algo completamente diferente, por isso nem se pode julgar o que é melhor ou pior, ou se gosta desta história ou não, e eu gostei.
Não quero dizer nada que estrague a história para quem vá ver nas novas aventuras da Sabrina, só me quero queixar que apesar de ter gostado (sim vi também os episódios todos num tirinho) mas fiquei com saudades do “velho” gato sarcástico da antiga série.
A Ana dos cabelos ruivos, agora é Ana com E (Anne with na E).
Eu já vi os desenhos animados, eu já vi a série, eu já li o livro, e mesmo assim não resisti a ver a nova série da Netflix da Ana.
E apesar de conhecer a história, eu devo ter chorado um oceano a ver os dois primeiros episódios. Porquê?
Mas é que chorei assim, mesmo de ter de parar a série para me ir assuar!
E tirando a actriz que está fantástica e igualzinha aos desenhos animados, sim, porque a outra actriz era bonita, ela de feia não tinha nada, e esta miúda agora parece que nasceu para representar este papel. Mas tirando este facto a história, é a história, estão porque continuo eu a chorar babá e ranho?
Julgo que choro porque me identifico. Não, não sou órfã, mas sempre me senti diferente, nunca me senti totalmente amada. Vivi a minha infância ou a ideia que a qualquer altura ia ser abandonada (não me perguntei porquê que sentia isto). Sempre me senti feia, nunca ninguém me fez acreditar que era bonita, e esta ideia de que alguém feia nunca vai ser amada e como tal nunca vai ser feliz, é horrível. Temos de mudar isto! Porque apesar de a história ser do final do século dezanove, a história é actual.
Não quero culpar os meus pais ou a minha família, julgo que o problema nasceu comigo, esta sensação de solidão, de não ser amada e ser abandonada, de ser incompreendida, tudo isto que me faz chorar e rever-me na história da Ana. Mas a escola, as escolas, todas elas, e todos os professores, e todos os pais de todos os meus colegas pela educação que lhes deram, esses devem ter um pouco de culpa, porque este sentimento que trago de que sou feia, isso alguém mo deve ter incutido, sempre a dizerem que sou pequena, como se isso fosse um defeito assim tão grande. Sou chamarem-me de caixa de óculos, quatro-olhos, etc., isso foi maldade. E até o facto de eu sempre ter-me sentido excluída, porque é que ninguém me incluiu? Ninguém reparou que eu não tinha amigos? Que ninguém brincava comigo? Ninguém me ajudou.
Ok, eu sou diferente e não procurei ajuda talvez, dessem-me uma folha de papel e um lápis e eu ficava entretida sem chatear ninguém durante horas e horas.
Já no liceu ou universidade, era diferente, era mais freak, um pouco geek, mas lá foi andando.
Agora dou por mim que mais de quarenta ainda a chorar que nem uma criança porque entendo tão bem aquela criança que só quer ser amada que está ali na televisão. Mas a Ana faz amigos e cresce e fica bonita…
Já passou mais de uma semana, tenho a certeza que nem me vão ligar para agradecer ter ido à entrevista, vi logo que não me queriam quando eu disse quanto queria receber.
Mas agora ando outra vez com pânico do telemóvel.
Como é que vos posso explicar…
Eu preciso de um emprego, pois preciso de dinheiro para sobreviver, certo, e por isso respondo a anúncios. Mas se o meu telemóvel toca e eu não conheço o número entro em pânico. Ora vomito, ora não consigo respirar, ora não me consigo mexer, ora vou-me enfiar entro do roupeiro. Eu não posso andar nisto!
Mas que hei-de fazer?
Voltar à mesma psicóloga não me parece a melhor opção. Arranjar outro? O que hei-de fazer?
A maior parte das vezes não consigo mesmo atender, fico dente, tenho medo, medo não, PÂNICO que seja para ir a mais entrevistas. Mas eu preciso de ir! Mas tenho medo, tanto medo, e estou tão cansada, se gosto do sítio não me voltam a chamar, se não gosto também não me chamam, e eu só ando a gastar gasolina e a enervar-me. E como eu me enervo!
Como é que eu faço desaparecer este medo?
Eu preciso de um emprego.
Mas as minhas últimas experiências foram todas tão más. Julgo que não consigo voltar a passar por mais nada assim. Tenho medo do que fará de mim.
O pior é que quando lá cheguei a empresa ficava numa garagem sem casa de banho.
Esqueçam a parte da casa de banho, era uma garagem para um mini, mas um mini dos anos 60, não para os de agora de são tudo menos minis.
E fazia um calor lá dentro, ui, ainda tentei ver o lado bom, ia suar que me ia fartar e isso emagrece, certo? Não sei.
E por falar em emagrecer, onde é que ia almoçar? Na secretária como na última empresa onde estive, também não tinha cozinha! Mas tinha casa de banho, e eu já não me sentia muito bem, pois a casa de banho era colada à secretária do estagiário, e eu ficava sempre constrangida se por acaso se ouvia algum barulho de origem natural e humana na casa de banho, mas que são barulhos que nem nos primeiros anos de uma relação queremos partilhar com os nossos companheiros quanto mais com novos colegas de trabalho. Assim não havendo casa de banho também não á receio de ouvirem barulho, mas onde ia eu se me desse um desarranjo, á mata?
Sei que não me vão voltar a ligar, eu disse que queria receber mais do que o ordenado mínimo (eu não respondi assim, eu respondi um número e nem me justifiquei, afinal se gastei tanto com a psicóloga como aqui me queixo, tenho de começar a por em prática o que tanto falamos, dizer um valor, e nem me justificar, dizer apenas), e não disse nenhum valor astronómico acreditem, mas a empresa era na garagem, muita sorte ia ter eu se não fizessem como no meu ultimo emprego e me pagassem o ordenado todo.
Claro que vim o caminho todo a ruminar que tinha de haver uma fiscalização, etc. etc.
Mas a verdade é que eu compreendo, em vez de andarem que nem eu à procura de emprego, duas amigas juntaram-se na garagem. E fazem elas muito bem!
Mas se a empresa está a crescer, talvez deviam primeiro pensar em sair da garagem antes de pensarem em meter mais pessoas lá dentro.
E talvez seja por este meu mau feitio que eu não passo disto.
Ao escrever o título deste post, até me ri, sim, porque eu queria referir-me à segurança social, mas lembrei-me logo das SS nazis, e poças, não é que tenho medo da segurança social como se eles fossem das SS nazis!
Porquê? Porque é uma instituição que é uma confusão tamanha e apesar de serem do estado e como tal eu sou a patroa deles, eu sinto que na realidade eles é têm todo o poder sobre a minha vida, ou pelo menos em parte pela qualidade dela.
Deixem-me contar o que se passou.
Com isto tudo deste meu ultimo emprego, entrei no site da segurança social para ver se estava tudo ok, e imaginem o meu espanto, e pânico ao deparar-me com um divida de quase 2000€ a eles!!!
Se alguém me visse eu devia parecer uma galinha sem cabeça cá em casa a andar de um lado para o outro em terror e sem saber o que fazer.
Claro que respirei fundo, tentai sossegar a cabeça e liguei logo para eles, ao fim de 40 minutos lá me atenderam apenas para me informar que eles não me podem informar de nada, que tenho de ir à segurança social mais perto de mim, claro que disse logo que queria fazer uma marcação para ir, e voltei a ficar parva quando me dizem que só têm vaga daqui a um mês (esta história começou em agosto!), ok, marquei.
Mas não consegui ficar assim parada à espera em saber de nada, então mandei um e-mail para a caixa da segurança social da minha zona, e outro para o geral.
Algumas semanas depois, do e-mail geral disseram-me que a divida tinha a ver com o tempo que trabalhei a recibos verdes, e que para mais informações me deslocasse às instalações da segurança social mais próximo de mim… mas eu já não trabalho a recibos verdes desde 2007, à onze anos, estou farta de ir ao site e ir à própria segurança social e não tinha divida nenhuma, e agora, assim do nada aparece 2000€, onde é que ia arranjar o dinheiro??? Mas como apareceu este valor, é referente exactamente ao quê? Tinha de esperar.
Dois dias antes de ir à segurança social, recebo um e-mail da mesma a dizer APENAS que a situação já estava corrigida.
O QUÊ?
COMO?
Fui ao site e realmente o valor em questão desapareceu….
O melhor é dar graças, agradecer a todos os santinhos, meter velas e flores e não pensar mais no assunto.
Ok, eu quero apenas dar graças, foi só u susto.
Mas e é assim, enganam-se a assustam uma pessoa e depois puff não é nada!
Parte de mim apetece-me ir lá fazer uma fita, que isto não pode ser assim, não podem brincar com assuntos sérios, tem de haver competência, afinal eles não são uma empresazinha de vão de escada!
Mas outra parte de mim, continua apenas a agradecer aos anjinhos e a achar que o melhor é esquecer este susto e seguir em frente.