Quero despedir-me, quero mesmo, o meu homem também quer, a minha família também me diz para o fazer, toda a gente vê que apesar de o desemprego ser mau, eu aqui estou pior, mas não consigo arranjar força em mim para me levantar e pedir para me despedirem, ou eu despedir-me, porque é que não consigo?
Hoje a mulher do chefe veio-me dizer que só me podem pagar metade do ordenado agora e pagam o resto durante a semana que vem.
Ora, eu nem aqui estou à dois meses e já começa assim!
E junto com tudo o resto, eu devia ser mais inteligente e fugir já hoje, agora já daqui para fora.
Acho que tenho Liticafobia, a sério, parece que me vai dar uma coisa se tenho de ir a tribunal, seja lá qual for a razão para lá ter de ir.
Definitivamente tenho Coulrofobia, mas isso quase toda a gente tem.
Ainda sobre o post de ontem, tenho Fobofobia.
Parece que estou a criar uma espécie de Ephebifobia, os jovens de hoje são mesmo muito estranhos, no meu tempo não era nada assim!
Tenho um bocadinho de Catisofobia, mas é só se não tiver nada para fazer, por isso é que estar aqui no trabalho sem nada para fazer sentada o dia todo dá cabo de mim. Em casa também não sou capaz de me sentar sem motivo. E com amigos, numa festa ou assim, se me sento é porque já estou chateada, farta e quero ir-me embora.
Tenho Scriptofibia e não só, não gosto que me vejam a escrever, a desenhar ou ao computador, nunca gostei, nem da escola e MUITO menos no trabalho.
Tenho um bocadinho de Aulophobia, mas tem a ver com as aulas de educação musical para as quais eu não tinha jeito nenhum, os meus pais lá tiveram de compram-me uma flauta, eles bem queriam que eu usasse uma de um vizinho, mas depois de muito chorar lá me compraram uma, eu sempre soube que eles não tinham dinheiro e sempre que comportem bem a esse respeito, mas não conseguia usar uma coisa que já esteve na boca de outra pessoa, e eu nem gostava de usar a minha, por mais que lavasse ficava sempre com cheiro a cuspo. E depois há o som, eu não tinha jeito nenhum, mas os meus colegas também não, as aulas era uma hora inteira de martírio. Mas ainda hoje, há sempre um miúdo na vizinhança que seja aquela idade que tem de comprar uma flauta e lá vem o barulho horrível.
Não gosto, odeio mesmo ser tocada por estranhos, por isso também devo ter um pouco de Afefobia.
Só a muito custo e suor consigo ultrapassar aos poucos a minha Glossofobia, mas se poder escapar uso todos os meios ao meu dispor!
Ainda sobre a Afefobia, sou capaz de também padecer de Chirofobia, adoro o inverno para poder andar de luvas, é pena que só é bem visto na rua, eu por mim usava quase sempre.
O chefe pode sofrer de TOC (Agarrado ao pau), mas eu sei lá do que sofro, sofro de medo.
Eu não consigo gostar também deste chefe, eu tentei, mas ele não é normal, e não sei, estou cansada de pessoas assim.
Ele não me dá trabalho, não fala, até parece que ele nem sabe que eu estou aqui, mas depois de repente passa-se da cabeça, mas é uma coisa estranha, a melhor forma de descrever é que ele ferve em água fria.
Ontem ao fim da tarde (depois de eu já ter perdido a conta às vezes que ele lavou o chão), veio ao telemóvel em alta voz discutir comigo porque o programador (que está de baixa, nunca o vi, só troco e-mails com ele) disse que não tinha nada para fazer porque eu não lhe enviava o material, ao que eu respondi que o material que havia para enviar eu já tinha enviado à uns 20 minutos atrás. Então ele que parecia bicho, desapareceu, com isto quero dizer que ele só disse que se calhar o e-mail ainda ia a caminho e pronto, voltou para a secretária dele. Ok.
Hoje o tal programador enviou-me apenas um terço de tudo o que eu lhe tinha enviado, então para não haver chatices de futuro (esperem, primeiro tenho de dizer que nunca fiz tal coisa, ou pelo menos tento nunca fazer, gosto de “viver e deixar viver”, “não fazer aos outros o que fazem mim”, etc., mas há momentos em que olhamos à nossa volta e estamos tão cansados e fartos de mesquinhices e pequenices, que achei que o melhor era mesmo dizer a verdade) e então fui ter com o chefe e mostrei o que estava feito até agora, e que tudo o que estava em falta não era culpa minha, só para ele estar a par de alguma coisa, e não me vir chatear como no dia anterior.
Não é que passado um bocado ele chama-me completamente transfigurado, a dizer que não fazemos nada de jeito que o trabalho está tudo mal feito, que assim ele acaba com ele departamento e manda toda a gente para o olho da rua (estão a ver a coisa, assim estilo doido). Eu farta, disse-lhe com muita calma e serenidade que o que está mal feito, mais uma vez, é culpa do programador, eu não percebo nada de programação, e se fechar o departamento eu um bem que me fazia, pois não estou aqui a fazer nada. Mando-me ir para a minha secretária, fui.
Passado um bocadinho ele saiu.
E pronto, mais um filme sem conclusão.
Sim, o senhor não joga com os berlindes todos. Mas eu também não, mas eu também não, devia ter fincado o pé, e pedido mesmo, mas mesmo para ele me despedir. Não devia ter medo de um futuro que desconheço. Já tenho medo deste, pois algo que diz que não me vou dar bem com o programador quando ele voltar, estou farta de pessoas que se desculpam com as outras e se ele ao vivo for igual a como é por e-mail, isto vai correr ainda pior do que já está a ser.
Mas tenho medo de ir, de não arranjar emprego ou arranjar outro ainda pior.
Sim, já tinha percebido que o meu chefe não tem o baralho completo, mas continuo a ficar de queixo caído que as coisas que ele faz.
Que não é normal contratar alguém sem fazer uma entrevista, não é.
Que não é muito normal falar para dentro e ninguém conseguir ouvir o que ele diz, não é, e acreditem não sou eu a implicar, o que eu já implico é passar os dias a ouvir a mulher dele a pedir para ele repetir o disse, ou a dizer para ele falar mais alto, mas 90% do tempo ela só diz mesmo “HÃÃ??”, por isso não sou só eu que não o consigo ouvir. Mas se não o ouvir é complicado, o pior é que ele mal fala, e eu aqui sem nada para fazer. Sim, e que chefe é que nos contrata e não nos dá trabalho???
Mas para além disto tudo, e muito mais, já reparei que ele tem uma panca com o chão lavado, ou melhor, por lavar o chão.
Quando ele foi de férias só me pediu para regar o bonsai e passar uma esfregona. Ora e trabalho? Sim, dar trabalho para eu fazer, isso não?
Deixa lá, eu reguei o bonsai, até tive algum receito de lhe ter posto água a mais, mas lavar o chão esqueçam.
Não é nenhum pretensiosismo, do género “não foi contratada para fazer isso” (e não fui), é apenas o facto de eu ter passado os dias praticamente todos sozinha. E da porta à minha secretária são cinco passos (se calhar nem isso) então para quê lavar? Se ainda tivesse ficado um mês fora, aí talvez eu tivesse lavado o chão.
Já quando voltou de férias e nem me avisou que ia vir, eu entrei em pânico quando aqui cheguei e vi a porta aberta, o meu primeiro pensamento é que não tinha trancado a porta no dia anterior e tinham assaltado o escritório, mas não, afinal era só o patrão de porta aberta a lavar o chão.
E ele é capaz de lavar várias vezes ao dia!
Reparem, não é mau feitio meu, a sério, normalmente só cá estou eu, ou eu e ele, no máximo eu, ele e a mulher dele (isto dava um bom titulo para um filme, pensando bem, já deve haver algum com este nome), e isto é pequenino, a ultima empresa que trabalhei chegamos a ser dez pessoas e a trabalhar de verdade, ou só a andar para aqui e acolá e a ir à casa de banho, etc., e as senhoras das limpezas só vinham uma ou duas vezes por semana no máximo.
Eu só consigo lavar o chão de casa ao fim de semana (chamem-me de porca, que eu não quero saber, não tenho tempo).
Mas este homem não, quem o quer ver é agarrado ao pau da esfregona (quando leram o título deste post levaram para a malandrice, não foi?).
E lavar o chão não é assim tão mau, certo? O pior é que eu hoje para tentar entrar na empresa estava a ver que tinha de arranjar um barco, sim, ele manda a água de lavar o chão para a rua. Ora como não tinha um barco à mão, tive mesmo de molhar as sandálias e os pés todos.
E sim, lá estava ele a lavar o resto do chão, ele muda de água várias vezes e não sei se chaga a por algum detergente, pois não cheira a nada, deve mesmo ser só água.
Mas quando ele me viu a entrar arregalou os olhos em pânico, ainda tive esperança que me fosse despedir por ter pisado o chão, mas não, voltou a lava-lo. Depois chegou um senhor de entregas e quando ele saiu, lá veio o chefe de esfregona na mão. E, entretanto, veio um senhor do banco, e assim que se foi embora ele voltou a lavar o chão, só hoje já foram quatro vezes e ainda nem meio dia é!
Não gosto de o fazer, mas apaguei dois comentários. Não me importo com críticas, mesmo as que nos magoam podemos sempre tentar retirar algo, aprender. Mas dizer mal só para magoar é parvo, é parvo não, é pura maldade, e odeio pessoas más, mas infelizmente cada vez há mais gente má, mesmo muito má neste mundo. Mas isso dava para outro texto.
Este texto é uma forma de explicar que só tenho este blog para me manter ocupada nem que seja por cinco minutos. E é uma forma também de desabafar, de deitar cá para fora pesos, fardos, coisas…
Tento ser o mais anónima possível, mais uma vez eu criei este blog para poder desabafar sem medos, sem ter de levar com juízos de valor, etc.
Tento ser anónima até no facto de que praticamente não conto a ninguém que tenho um blog.
E se vou ver as estatísticas do blog e vi que duas pessoas leram fico contente, não preciso de publicidade, não vou nunca ter o blog do ano, não ando da rua a desabafar com a primeira pessoa que encontro, só escrevo que sentir que deitei cá para fora, o que sinto, o que gosto, o que não gosto, e por ai em diante.
Assim sou livre de desabafar sobre tudo, por mais parvo que seja até às vezes pode parecer maldoso, um pouco como falava em cima sobre as pessoas serem más, mas há maldade e maldade, sei que somos todos um pouco maus, todos nós julgamos os outros, somos humanos e pronto.
O comentário que apaguei referia-se à minha má escrita.
Ora esse é um dos meus traumas, pelo menos nos meus empregos. Eu nunca disse que sabia escrever, a ninguém, acreditem.
Tirem design gráfico, e não pensava que teria de escrever fosse o que fosse, pensei que iria existir um copy ou alguém que me desse o material escrito para eu trabalhar a imagem. O problema é que hoje em dia, quem contrata quer que uma pessoa faça tudo, se és designer, também percebes de marketing, web, fazes os anúncios de raiz com a publicidade e tudo, e escreves noticias da empresa e de tudo. No meu último emprego o que me levou a marcar a consulta com a psicóloga, foi o facto de ter gritado com um colega “EU NÃO SOU COPY”, eu sei que não sei escrever. Aqui estou em choque porque todas as semanas colocam um texto do site, e agora esse trabalho recai sobre mim, até agora tenho-me safado com uns textos que o estagiário me deixou, mas se for eu a escrever não vai sair nada de jeito.
Odeio estar a falar mal de mim, mas é apenas o reflexo da minha experiência. Eu até pensava que sabia escrever, e leio tanto, mas nos empregos que tenho arranjado os meus textos são apenas motivo para eu levar na cabeça, e tenho modéstia suficiente para dizer que não sei.
Ainda no outro dia estava a pensar que os três anos que tive de francês foram completamente apagados na minha mente, como se alguém lá tivesse ido e colocado toda a informação no caixote da reciclagem e eliminado o conteúdo. E infelizmente o mesmo se aplica a 60% das aulas de português, 88,5% das aulas de matemática, 97% das aulas de geografia, 92,7% das aulas de físico química, etc., foi todo parar ao lixo.
Que andei eu a fazer na escola?
E ainda me queixo que não arranjo empregos de jeito. ☹
Ontem quando sai de casa, sem a mais pequena gota de vontade de vir para este trabalho, e já atrasada, entro no carro e dou-me conta que praticamente estou sem gasolina.
Como a vontade de vir continuava a ser nula, deixei a preocupação de chegar atrasada e lá tive eu de parar na bomba.
Chateada com o facto de a gasolina cada vez estar mais cara, mas divagando com o facto que me apetecia era fugir por aí, pegar no carro e só para na praia. Mas lá me dirigi eu para pagar a gasolina. Como estava sozinha na bomba, fiquei debruçada no balcão à espera que a senhora me viesse atender, enquanto pagava uma fortuna por 30 litro de gasolina, vi que vendiam raspadinhas e olhando para o fundo da minha carteira, disse à senhora, “olha, já agora dê-me uma raspadinha de um euro, se me sair alguma coisa já não vou trabalhar”, disse isto como quem pede aos deuses por um sinal, algo que dê força por uma decisão que no fundo queremos tomar.
A senhora lá me deu, mas saiu-se com esta “e se não for trabalhar vai fazer o quê? Ficar em casa sem fazer nada?”.
Já não é a primeira vez que alguém me diz algo semelhante, mas será que sou a única pessoa no mundo com uma montanha de coisas para fazer em casa? Será que até a senhora da bomba de gasolina tem uma senhora a dias? Será que até aquela senhora tem outra senhora para lhe passar a roupa a ferro? Serei a única que tem coisas para fazer em casa???
E mesmo que não tivesse que lavar roupa, passa-la a ferro, fazer comer, comprar comida, limpar a casa, mesmo que não tivesse de fazer nada disso, ia aproveitar o tempo para ir ao cabeleireiro que já não vou à quase um ano, ou ia ler, ou ver televisão, uma série ou um filme ou até o Goucha, porque não?
E que mal tem se realmente fosse para casa e dormisse o dia todo?
E porquê ficar de todo em casa? O meu objetivo inicial já era fugir do trabalho e ir para a praia!
E continuando com esta tormenta (últimos posts), no dia a seguir, logo pela manhazinha o chefe liga (assim mais valia ele não ter ido de férias) para informar que como não atendo as chamadas, ele pôs estas a reencaminharem para o telemóvel dele… tive para lhe responder, mas respirei fundo e deixei passar, é menos uma coisa para eu fazer, esperem, eu já assim não tenho nada para fazer!
Entretanto chega o outro senhor que continua super preocupado com o bonsai, ao que eu descansei-o que já tinha regado, fico novamente em pânico, porque se tinha regado ontem não valia a pena regar hoje (isto foi na sexta) ao que eu expliquei que reguei porque entretanto vinha o fim-de-semana e com calor, e assim já tem água. Lá concordou comigo. Durante o início da manhã o telefone tocou várias vezes, e o tal colega tentou atender as chamadas, mas sem sucesso, eu nem isso fiz, se afinal o chefe disse que já estavam a reencaminhar para ele, mas era obvio que algo nesse reencaminhamento estava mal, se não as chamadas não tocavam aqui. E lá me liga ele novamente a dizer que assim não dá, passamos nós a atender as chamadas, novamente nem lhe respondi (pelo menos como eu queria) só disse que sim e pronto.
E assim se passou a sexta-feira.
Hoje segunda, o chefe ligou logo às 9:15, para dizer que estava à espera de uma encomenda e mal a encomenda chegasse para eu lhe avisar. Já são quatro da tarde e nada da encomenda, acho que o plano era só ver se eu cá tava e se por cá ficava.
Contudo, depois de já ter posto música em altos berros, cantado, dançado, e jogado várias partidas de solitário e sem rigorosamente nada para fazer, sinto-me uma autêntica reclusa, parece que roubei alguém e agora para pagar a minha divida à sociedade estou presa, estou aqui presa…
Se ao menos tivesse aqui uma colher ia tentar abri um túnel para fugir desta prisão.
Chegou-se ao pé de mim e disse algo. Devo fazer uma cara tão pateta quando ele fala comigo. Ele fala super baixinho, eu não consigo perceber nada, e não gosto nada de estar sempre “hã?”, “diga”, “desculpe, pode repetir”, será que sou a única pessoa que não o consegue ouvir? Mas sempre que ele fala eu serro os olhos, como se tentado foca-lo o fosso conseguir ouvir melhor, abro a boca em espanto e serro os olhos… e é mais uma leitura de lábios que outra coisa. Lá percebi que ele ia de férias, e no meio do terror para o tentar compreender, nem perguntei quando é que voltava. Pelos vistos pediu-me para lhe regar o bonsai, mas no meio dos meus dias chatos sem trabalho, e a tentar compreende-lo, até me passou pela cabeça que ele me estava a fazer alguma proposta indecente, eu sabia lá que ele tinha um bonsai. Ok, eu rego o bonsai, e ainda me pediu para limpar o pó despejar os lixos…. Ok, será que foi para isso que ele me contratou (se calhar é por isso que até agora não vi nenhum contrato).
No primeiro dia sozinha, pensei cá para mim, eu vou conseguir passar os meus dias sozinha, isto é suportável tu vais ver. Meti uma chávena de café de água no bonsai e sentei-me, como quem se prepara para ficar o resto do dia em meditação o tempo todo sentada na mesma posição. Mas não é que me aparece aqui um tipo todo aflito que vinha regar o bonsai!
Disse para ele não se preocupar com isso que eu já tinha regado, “Não!!, Olhe que os bonsais só levam uma gotinha de água, quanto pôs?”, pus uma chávena de café, o homem olhou-me em pânico, eu disse para ele não se preocupar, já tinha visto onde havia bonsais iguais e são só 12€, em ultimo caso eu substituo a planta, o homem olhou para mim em total horror. Eu sou assim, e verdade seja dita, se havia uma preocupação tão grande com a planta, que a tivesse levado também de férias, um bonsai daqueles não ocupa espaço.
E não é que o senhor que diz que fica cá o dia todo para me fazer companhia. Companhia???? Eu queria era trabalho! E companhia ele não fez nenhuma!
Ontem cheguei à empresa, e durante hora e meia não apareceu ninguém (também só havia o chefe para aparecer), comecei a entrar em pânico por estar aqui sozinha. Os meus medos têm ficado cada vez maiores, tenho pancas e nóias, que não consigo combater. E ontem aqui sozinha tive algo como uma mistura de ataque de pânico/ansiedade/desarranjo intestinal/e sei lá mais o quê. Eu também tenho medo de ficar presa na casa-de-banho (já fiquei por diversas vezes e foram autênticos pesadelos), e por isso aqui sozinha e mal da barriga e querer fechar-me na casa-de-banho mas ao mesmo tempo cheia de medo de me fechar na casa de banho, e quase que me desfazia lá dentro, até já estava também com medo de me dar uma coisa e eu ficar lá fechada, sozinha, no chão daquela porcaria…
Em pânico lá saia, muito mal, e para lá voltava a seguir.
Já chorava e em desespero liguei para a minha pobre mãe, que só me pedia para não chorar, não fosso o patrão chegar e me ver assim.
Queria ir embora, mas não tinha coragem, pensei que o patrão tinha ido de féria e nem me tinha dito nada, ele mal fala, e o que fala, fala para dentro e eu não percebo nada.
Se me fosse embora ia perder tudo, subsídio de desemprego, e por isso, em lagrimas desfeita em cocó, quase sem conseguir respirar lá fui aguentando.
E sem nada para fazer, aqui a olhar para as paredes.
A meio da manhã o chefe lá chegou coma filha pequenina e entrou e disse-me um bom dia para dentro e passou por mim e pronto. E eu fiquei a olhar, em pânico sem me conseguir mexer, e assim fiquei até ele logo a seguir sair com a filha. E eu aqui fiquei.
Fui almoçar e pelo caminho discuti comigo mesma que tinha da parte da tarde de falar com ele, isto assim não é vida, não é emprego, não é nada.
Depois de almoço cheguei e fiquei sozinha, sozinha, sem nada para fazer.
Joguei solitário.
Ele voltou e eu continuei sem me conseguir mexer daqui, sentada em pânico e não consegui falar com ele.