Um dos últimos posts que escrevi foi sobre o livro “Fahrenheit 451”.
Agora vi o último filme que fizeram para a HBO.
O que é que vos posso dizer… aborreceu-me de tal modo que adormeci lá pelo meio, voltei a acordar e vi o resto, mas é sem dúvida alguma um filme aborrecido.
Não me incomoda que seja uma adaptação (de tantas que já foram feitas, quer teatro, televisão, cinema, etc., até em outros livros), e até gostei do facto de eles não andaremos atrás de livros, mas também de filmes, bobines, discos rígidos com informação, etc. Isso até está engraçado, afinal quando Ray Bradbury escreveu o livro em 1953, foi um visionário a imaginar drones, robots, paredes de salas inteiras com écrans, “redes sociais”, mas ele não chegou tão longe ao imaginar o que temos hoje com a internet e toda a informação que ela tem, e por isso essas pequenas alterações são interessantes.
E também não me importo muito que algumas personagens não existam e outras serem tão diferentes do livros. Mas acho que simplesmente não resultou.
Sim, é verdade que existem adaptações muito boas, e uma ou outra lá até suplantam o original, mas a realidade é que realmente são poucas as que conseguem esse feito. Eu sei que achei que o próprio livro tem uma forma de escrita enfadonha (para mim, vá lá, não me levem a mal), mas consigo ver para além disso e compreender o que a ideia que o autor queria passar, e de uma forma visionária, está fantástico ao ponto de roçar a tristeza, sim, estamos a caminhar para uma sociedade apática (ou se calhar esta também é apenas a minha visão).
Mas se um livro é bom, ganha fama, tem ali uma fórmula que resulta, porque é que os realizadores ou que produz os filmes acha que ao pegar numa obra o ideal é mudar quase tudo? Porque raio é que eles acham que vão ter sucesso? Ou a ideia é não ter sucesso, é apenas ver se funciona?
Tive pena, achei que ia passar um bom bocado distraída a ver um filminho, e não posso dizer que foi mau, sempre passei pelas brasas e isso é sempre bom.
Hoje já não me sentia bem, talvez porque me marcaram uma entrevista num sitio que também já fui a uma entrevista, e odiei, vá lá que não fiquei, mas como os anúncios não dizem para que empresas são (só pode ser por medo, vergonha, porque é que 90% dos anúncios não diz que empresa é???) acabei por responder, ainda por cima através do IEFP, e agora? Tenho de aceitar?
Resumindo, se já não estava bem agora estou pior.
E pior, vá-se lá saber porquê, mas a notícia da morte (morte não, suicídio) do Anthony Bourdain foi como um murro no estomago.
Gosto de comida, de culinária, sempre achei piada ao Anthony Bourdain, até tenho livros dele!!!
E de fora, porra, de fora, parecia um homem com tudo, que já fez tudo.
Foi isso? Foi porque já não havia mais nada a fazer? Já viu todo, comeu todo tomou tudo (drogas)?
E a filha? Tão pequenina…
Porquê?
Fo$%&-se, parece que foi a mim que ele tirou o tapete.
Eu sinto-me sem nada car”#$%ho, no fundo, sem luz, e o filho da mãe é que foge?!
Enquanto não sai o segundo volume de “Um estranho numa terra estranha”, decidi continuar a explorar os clássicos e li Fahrenheit 451.
O que eu achei mais fantástico sobre o livro é o facto de ele ter sido escrito em 1953, sem sombra de dúvida que Ray Bradbury era um génio e um visionário. Numa época em que nem metade dos estados unidos tinha televisão, ele escreve sobre um mundo já ligado a uma espécie de rede social viciante.
Mas já este livro apesar de ser bastante pequeno, tem pouco mais de uma centena de páginas, foi difícil para mim lê-lo. Talvez porque é um pouco deprimente, ou porque eu estou deprimida. A minha fé nos “homens” e no futuro está terrivelmente abalada e isso reflectiu-se na leitura deste livro. Custou-me mesmo pois não me é nada difícil imaginar a alienação de toda uma sociedade em prol de nada, em toda a gente a virar uma cópia do outro e pronto… nada.
É triste.
Senti-me triste.
E o mais triste, é que o livro nem tem um mau, o vilão, e ninguém tem de trabalhar, não há essa preocupação, é quase como se o governo fossem estes pais de agora que deixam os filhos, neste caso a população ficar toda a vida em casa apenas ligada à internet e pronto. Não existem objectivos valores, sonhos. Por isso ninguém quer ver um livro à frente, não vá o livro o fazer sentir algo.
Mas foi isso que este livro me fez, fez-me sentir ainda mais deprimida, como se só eu e apenas eu visse a corda que me está a apertar a garganta, mas se eu tentar fugir enforco-me e mais ninguém vê essa corda e como tal ninguém me ajuda…