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Lolita no Arame

Lolita no Arame

28
Mar18

Gripe #2

lolita

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 E porque fui eu sair de casa perguntam vocês?!

Vamos lá então continuar com a minha saga:

 

Há seis anos que já moro do outro lado do rio Tejo, mas mesmo assim nunca cheguei a alterar o meu centro de saúde por pura preguiça, pois não dá jeito nenhum ir a conduzir cheia de febre para Lisboa para ser vista pelo meu médico, e já o fiz várias vezes.

E a verdade é que também ao fim destes anos todos me afeiçoei ao meu médico, não gosto nada do centro de saúde, acho todo ele com graves falhas, muitas mesmo, e o meu médico também está cansado (com o sistema, com as pessoas, com os anos de trabalho…), e ao longo dos anos a atender-me ele desenvolveu a horrível noção que eu sou “nervosa” e para ele o melhor remédio para mim é eu ir dar uma corridinha, como se todos os meus problemas fossem de origens “nervosa”, como se ainda estivéssemos no século XIX e todas as mulheres sofressem de histerismo (estás ideias dão-me uns NERVOS que nem imaginam).

Mas apesar de ficar irritada dei por mim a praticar atletismo só para ver se a recomendação dele tinha fundamento (os resultados desta actividade ficam para partilhar convosco noutra ocasião).

 

Mas voltando às minhas viagens às sete da manhã com a auto-estrada entupida e eu cheia de febre a tentar chegar ao meu médico e pedir-lhe encarecidamente que me atenda, depois desta gripe achei que estava na hora de ir conhecer o centro médico da zona onde habito.

 

A sério que pensei que era uma boa ideia, e então lá fui eu. Gostei muito do facto que mesmo ainda engripada e arrastando-me mais do que a andar, cheguei lá em menos de um minuto! O centro é mesmo pertinho, ora que bom (pensei eu).

Mas quando entrei a minha expressão devia ser como num filme de terror dos anos 80, sabem, quando existe uma séria de sequências rápidas e filmam a cara da pessoa assusta, e depois fazem um fade out rápido com uma música de fundo ao estilo tchan-chan-chan-chan, e o grito da protagonista com as mãos na cara à laia de “sozinho em casa”. Pelo menos foi isto que imaginei quando lá entrei. Entrei para uma sala com não mais de 4m2, uma sala de um centro de saúde que deu-me ideia que existe desde o surto de peste bubónica da idade média. Com umas cadeiras de madeira todas lascadas que davam ideia que ainda elas têm vivo o vírus da gripe espanhola de 1918. Com os utentes todos lá encafiadinhos, ombro com ombro, joelho roçando em joelho, sim um autentico filme de terror que eu não queria acreditar que era de verdade, eu que achava com o centro de saúde que pertencia era mau e velho, eu não fazia a menor ideia que pudesse haver algo assim, não aqui, não em 2018!

E sem conseguir processar o que via, tirei uma senha e aguardei para ser atendida.

Por acaso não demorou nada, mas mal cheguei ao balcão o pesadelo continuou.

Expliquei que já aqui morava à algum tempo que perguntei o que tinha de fazer para poder ter um médico de família e ser atendida, ao que a senhora do outro lado do balcão me responde:

- OIÇA, VOU-LHE JÁ EXPLICAR AS COISAS COMO SÃO.

Eu em cheque com está explosão de agressividade inesperada, lá disse – Ok, explique-me lá.

- NÃO HÁ CÁ MÉDICO DE FAMILIA PARA NINGUÉM, OK? O que existe é, o estado contratou uma empresa que vem cá com uma carrinha uma vez por mês e atende os utentes que não têm médico de família, mas a lista de Abril já está cheia, agora só para Maio, e não garanto que eles vêm, há meses que eles não vêm, mas se você quiser pode ir à empresa deles, paga o mesmo que aqui, QUER?

O quê? O que é que é que eu quero? Mas… o que esta senhora que me está a dizer é verdade???

Tentei juntar todas estas informações que me tinham acabado de passar, mas não conseguia acreditar que era verdade. O estado paga a uma empresa externa para ir dar consultas uma vez por mês ao centro de saúde??? Mas isso não é ter médico de família, e o médico de família é importante, é ele que sabe o nosso historial clinico e da nossa família, é ele que sabe que uma dor que pode parecer que não tem importância, mas tendo em conta um historial clinico até pode ser relevante! Não pode ser um médico qualquer! Não vou marcar uma consulta para Maio! Tenho gripe hoje!

Acho que tenho ter balbuciado algo assim à moça, que vamos lá a ver, eu não posso dizer que ela fui mal-educada, ela só já não tem um pingo de empatia no corpo, e julgo que isso de deve a nos e anos de pessoas que ficam desiludidas com o sistema e discutem com a primeira pessoa que vêm, neste caso, ela!

E até percebi, quando ela disparou dizendo “VOU-LHE JÁ EXPLICAR AS COISAS COMO SÃO”, é porque ela não devia explicar e as pessoas já devem ter reclamado muito, mas mesmo muito com ela.

Mas este sistema não está certo, a quem faço eu queixa? A quem reclamo? Quem pode resolver isto???

Ela continuava à espera que eu dissesse o que queria, e eu acabei dizendo que assim não queria (assim continuo a ir doente e sem forças para Lisboa, pelo menos até que eu meu médico se reforme por exaustão).

Mas ainda assim perguntei que podia fazer, pois estava doente que queria que um médico me visse.

- Consultas externas só a partir das 14 horas, fique ai, às 14 horas o segurança dá-lhe uma senha.

Mas era 10 da manhã? Mas segundo ela me explicou, é tanta gente a querer consulta que ficam à espera e o segurança vai decorando e sabe porque ordem as pessoas chegaram e distribui as senhas.

Deu-me uma vontade de partir aquilo todo e mesmo sem forças e engripada, olhando para obeso do segurança, acho que conseguia partir aquilo todo e fugir sem que ele me conseguisse apanhar.

Não, não fiz nada disso e vim apenas embora.

Mas estou tão revoltada, queria à viva força saber o que é que eu posso fazer para mudar as coisas, aquele centro não pode continuar assim, não é justo, nem para mim nem para quem aqui vive. Como é que nunca ninguém fez nada?

O que é que se pode fazer?

 

26
Mar18

Gripe #1

lolita

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Tenho estado ausente do blog porque tenho estado com uma gripe terrível.

A gripe em conjunto com o tenho de chuva que tem estado não me deu vontade de sequer despir o pijama durante quatro dias seguidos, sim, eu tenho vergonha de dizer isto, mas é verdade, fiquei de pijama e robe e movimentei-me da cama para o sofá e do sofá para cama.

E se se estão a perguntar se fui ao médico, tenho de dizer que não.

Primeiro, só a ideia de ter de despir o pijama, vestir-me ir, esperar, voltar, despir e voltar a vestir o pijama era para mim, totalmente inconcebível, o frio, o trabalho nããã.

Segundo, da última vez que estive assim, acabei por me ver obrigada a ir às urgências de um hospital privado, e só para ser atendida paguei 25€, mais 35€ em medicamentos na farmácia de serviço, ficou-me a “brincadeira” por 60€, e passada uma semana a tomar, comprimidos, pastilhas, aerossóis, e tomadas, ainda me sentia mal.

Ora, já a minha avó dizia “se com medicamentos passa em 30 dias, sem medicamentos passa em 31”. Guardei o meu dinheirinho que tanta falta me faz e andei a chás de limão e só não estou totalmente boa por causa deste tempo que ora chove ora faz sol, ora está frio e logo a seguir calor, e sai à rua com tanta roupa que poderia ser confundida por um boneco da Michelin, e depois já estava a suar que nem um cavalo.

 

E porque fostes tu sair de casa perguntam vocês.

Ora ai está toda uma outra história!

 

14
Mar18

... fé

lolita

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 E hoje a empresa que na semana passada fui à entrevista e que entretanto ligaram-me a dizer que não fui a escolhida… hoje voltaram a colocar o mesmo anúncio…

Ok, eu não presto, e pelos visto nem eu nem mais ninguém que lá deve ter ir á entrevista, ou será que só me entrevistaram a mim?

Sinto-me confusa, desamparada e sei lá…

Ando a ver cursos para talvez melhorar o meu currículo, mas ou ando a ver nos sítios errados, ou só encontro cursos com valores acima dos 1000€. Se ao menos eu fosse afiliada de algum partido político era tudo mais fácil, enchia o meu currículo só com experiencias falsas.

Mas não, sou totó e tenho medo e queria mesmo aprender mais.

AIIII!

12
Mar18

Sem fé

lolita

tris.jpgE já me ligaram da entrevista que foi na semana passada para me dizerem que não fui a escolhida.

 

Será que teve a ver com o facto de eu não ter adivinhado onde ficava a empresa?

 

Mas foram muito simpáticos em ligar e avisar, tão poucas empresas ligam a dizer que não ficamos, mas… ai

Acho que estou a ficar sem fé, como se não acreditasse que vou voltar a ter emprego.

Dá-me uma angústia que me sufoca.

O que vai ser de mim?

09
Mar18

A cair aos pedaços

lolita

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 Lembram-se de ter referido que quando vim da entrevista acabei a passar por uma scout ou lá como estas coisas se chamam. E nem imaginam a raiva que estas coisas me fazem, primeiro porque a outra estrada a que fui para lá tem apenas uma faixa para cada lado e de x em x quilómetros tem sinais de velocidade, por isso mesmo que com alguma sorte não haja transito, é sempre impossível ir a mais de 50 quilómetros hora, o que é um stress horrível de o objectivo é ir do ponto A ao ponto B, e não andar por aí a conduzir apenas para passear.

Voltando ás scouts, elas aparecem assim do nada, e se por um lado pensamos “epá agora já consigo conduzir um bocadinho a mais de 50 quilómetros hora (só um bocadinho porque também lá havia transito) ” por outro ficamos a pensar “raios, agora lá vou eu ter de pagar isto”, e sim, acho uma parvoíce pagar para andar na estrada, uma vez que comprando um carro já se paga um milhar de coisas em impostos, e quando pomos gasolina, voltamos a pagar impostos, e depois ainda temos de pagar o imposto único de circulação (se é único já não devíamos ter de pagar mais nada) e depois ainda temos de levar o carro à revisão e pagar a inspecção… resumindo já não pagamos tudo e mais alguma coisa para andar nas estradas esburacadas deste país, porque é que temos de pagar portagens???

E pior ainda, porque é que não podiam dar empregos a portageiros, que mal tinha? Eu não me importava, até preferia parar e pagar ao portageiro do que ter de ir todos os dias ao site dos CTT (nem me façam falar nos CTT!) para ver quando é que lá aparece o que supostamente devo por ter feito aqueles míseros quilómetrozinhos.

 

Ainda estou eu a matutar todo isto quando oiço as notícias sobre a nossa querida Ponte 25 de Abril, e então fico mesmo a ferver. Se a ponte está a ser concessionada por uma empresa privada e tem lucros milionários, e se fazem vistorias todos os dias, porque é que ainda vão pedir autorização e dinheiro ao governo (aka: nós o povinho) para fazer obras???

Isto faz algum sentido???

E por falar em sentido e em revolta, porque é que ninguém se revolta?

Aqui á umas semanas fui a Lisboa, e quando vim para casa (do outro lado do rio), mal entrei na Calçada da Estrela vinda dos Poços Negros, demorei quase duas horas para chegar ao fim da rua Ferreira Borges, alguém em diga se isto é normal, NÃO CHEGAM A SER 5 QUILÓMETROS! E já para não falar no tempo que depois demorei das Amoreiras para entrar no tabuleiro da ponte.

Ora vamos lá a ver, existe um problema muito grave nisto tudo, incluindo o facto de ninguém de passar da cabeça no transito, e com os barcos a parar por causa do mau tempo e a “ponte a cair”, alguém devia estar a pensar em mais alternativas, muitas mais alternativas, pois é mais do que obvio que a Ponte Vasco da Gama nunca foi uma verdadeira alternativa, não para quem esta mesmo em Lisboa e quer ir para Almada, etc..

Não ou engenheira é verdade, mas acredito, tenho de acreditar que existem especialistas de verdade que já devem ter pensado neste problema, e dou por mim a pensar se não existem alternativas apenas para manter os lucros das empresas que controlam estas passagens…

07
Mar18

As entrevistas e eu

lolita

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 Ou eu e os outros.

 

Prometi a mim mesma que nunca mais a correr feita parva a uma entrevista, se o recortador quer a entrevista no próprio dia que está a ligar e na mesma hora é porque ele não sabe gerir o seu tempo nem o da sua empresa, e eu estou farta de trabalhar para incompetentes.

Então quando me ligaram antes de ontem disse que me era completamente impossível estar para a entrevista nesse dia (sim, uma pessoa está desempregada mas tem direito a vida própria, ou não??) e perguntei se dava para ser no dia seguinte, ao que com alguma reticencia disseram que sim mas só às 18:30. Claro que aceitei, mas fiquei a maturar porquê tão tarde? Entrevista em horário pós-laboral, será que é para que a pessoa que vão despedir não desconfie? Já não consigo analisar nada sem um camada de desconfiança e cinismo, é triste, eu sei.

Bem se não podia ser a outra hora, ok, que seja, e pedi se me podiam mandar uma mensagem com dos dados para a entrevista (confirmação do dia e hora, nome da empresa, local), e ao dizer mensagem eu referia-me a um e-mail, ficava com tudo por escrito (é sempre melhor ter as coisas por escrito hoje em dia), mas esqueci-me de dizer e-mail, só disse mensagem, e não é que recebo uma sms com o link para o Google maps! E se eu não tivesse net no telemóvel, ainda existe gente que não tem! E por exemplo, o meu GPS não é o GoogleMaps, como encontro eu a rua? Mandei então eu, uma sms a pedir a morada e o nome da empresa… mandou-me apenas o nome da empresa…

Quando cheguei a casa fui logo ao computador, e pelo nome da empresa não encontrei nada, nem site, nem nada, então tive de transcrever o link do Google da sms para o Google maps no computador para conseguir ver onde ficava e quanto tempo ia demorar a chegar lá. E ainda bem que hoje em dia existe esta tecnologia toda, a verdade é que isto á uns 15 anos atrás eu não ia à entrevista, eu nunca ia conseguir descobrir onde é que aquilo ficava.

Mas então ontem andei a resmungar o dia todo, estava irritada com a entrevista em horário pós-laboral, é verdade que eu não tenho nada, mas e se tivesse filhos, muitos e uma família grande para cuidar como é que eu ia e vinha para cuidar deles e lhes dar de jantar… ok, ok, eu exagero tudo, eu sei. Mas mesmo assim, àquela hora já devia haver transito com as pessoas a irem e virem de casa, por isso a meia hora devia ser uma hora para ir pelo menos, e assim à 17 horas lá sai de casa. E quando finalmente dei com a rua tive de ligar para o número que me tinha ligado no dia anterior para saber o número da porta, pois ia responder a um anúncio de web design, não de clarividente!

 

Bom a entrevista até nem correu mal e julgo que não demonstrei os meus receios nem na minha postura nem nas minhas respostas, vamos lá a ver como correu.

Mas depois para voltar para casa o gps enganou-me e levou-me para a auto-estrada, e ainda apanhei mais transito, amarga como estou lá fiquei a pensar se ir para lá ia compensar com gasolina e portagens, a ver vamos.

 

02
Mar18

Essas malvadas

lolita

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Parece que os noticiários descobriram a causa dos problemas no nosso país, AS ÁRVORES.

Essas malandras dessas árvores não fazem outra vida senão cair em cima das pessoas e dos carros, e pior, ardem, quem as quer ver é por aí a arder.

E parece que toda a gente concorda com estes dados, pois agora anda tudo maluco a cortar árvores.

Começo a ficar com receio de um dia este país estar coberto apenas de casas e sem um bocadinho de verde.

 

 

Mas agora a sério, nestas ultimas semanas, quando ligo as noticias ou são crianças a plantar árvores ou velhos a cortarem-nas, não sei em que é que vamos ficar.

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