Não me levem a mal com o meu post de ontem, sei que devia estar a publicar listas de presentes para me oferecerem, mas volta não volta bate-me a imensidão do volume nos anos.
Vá lá, não gozem comigo, mas eu ainda me lembro de ter feito 22, e sinto que foi ontem, então como é que vou fazer 42?
Para onde foi o tempo?
Já para não falar que sinto que mandei metade dos meus dias para o lixo.
Não gosto do caminho de fiz, porque é que fiz como fiz? Para onde foram os meus sonhos? Para onde é que eu fui? Como fui empurrada até aqui? E porque me deixei ser empurrada? Havia alternativa?
Como é que dos 22 passei para os 42???
Foi ontem, não foi há 20 anos atrás? Isso é coisa que os velhos dizem “há 20 anos atrás”. Eu ainda sou nova. Nem suporto a ideia de quarentona, nem quero saber que a Julia Roberts é linda e fez 50. Não, isto não tem nada a ver com beleza, rugas, brancas, etc. Isto tem a ver com o ainda ontem eu sentia que… que o quê?
Que ia passar os fins de semana a limpar a casa?
Que ia passar o tempo e não me ia dar conta dele a passar?
Que não fui mãe?
Como?
Eu não sei como cheguei aqui?
E agora?
Traço um plano?
Para quê? Amanhã vou acordar e tenho 62 e estou a pensar, mas que porra como é que isto aconteceu?
Devolvam-me ao meu lar, que eu aqui não quero estar.
Estou tão cansada, acordei cedo e fartei-me de trabalhar em casa e mesmo assim não consegui fazer nada, só adiantei pequenas coisas, não fiz nada do principio ao fim, nem sequer o pequeno-almoço que assim que vi que horas eras desisti de o comer.
E mesmo assim cheguei atrasada. E tão cansada.
E as pessoas o que me cansam… ainda ontem a psicóloga dizia-me para pedir no emprego para só fazer uma hora de almoço, para ver se assim não chegava tão tarde a casa, tão tarde, tão de noite, tão cansada. E eu senti-me mal, como se estivesse na defensiva a dizer que não valia a pena, mas será que valia? Fiquei na duvida, será que quem ouve as minhas histórias não acredita de todo que possam ser de verdade, então seguindo este raciocínio, a psicóloga só pode pensar que eu estou a exagerar e fujo de confrontos e não falo, nem peço. Mas não é que quando aqui cheguei disseram logo que isso de uns e outros fazerem menos hora de almoço para poderem sair mais cedo para resolver algum problema ou ir ver jogos de futebol dos filhos acabou, acabou o pão para malucos, e quem faltar para ir ao médico tem de compensar à hora de almoço ou ao fim-de-semana.
Será que se eu contar isto à medica ela vai acreditar em mim? Eles disseram mesmo isto! Será que alguém acredita em mim??
Mais tarde a falar com o meu chefe sobre os brindes de natal para os clientes ele diz-me “não trabalhes muito, não vale a pena a gente trabalhar muito, porque acabam sempre por nos tirar o tapete dos pés e depois vemos que por debaixo do tapete só existe um enorme buraco”.
Nossa ele está mais deprimido que eu! Eu ainda lhe perguntei, mas do que é que ele estava a falar? Era de mim? Era dele? Era um aviso a dizer-me que me vão despedir? Era o quê? Ele virou-me as costas dizendo apenas “tu sabes”, FOGO, A SÉRIO QUE JÁ NÃO SEI NADA!
E trabalhar menos… se não quase não tenho o que fazer o que quer ele dizer? Ainda pensei em não vir hoje.
Hoje sai da consulta de psicologia como se tivesse acabado de andar à porrada, estava mesmo cansada.
Se da outra veza senti que tinha tirado um peso de cima de mim, hoje parece que me mandaram com uma bigorna para cima.
E sei que a culpa é toda minha, se eu sinto que preciso de ajuda, se sou eu que marco e vou à consulta, então eu tenho de deixar de lutar e ouvir a opinião dos outros e não ficar sempre na defensiva.
Já o meu anterior psicólogo dizia que eu era como alguém que vai mostrar a casa aos amigos, mas fecha das portas todas e não mostra nada com a desculpa que os quartos estão desarrumados.
Pois, é parece que continuo com a casa toda desarrumada e não a quero mostrar nem à senhora das limpezas, assim não vou lá.
Continuo a dizer que o sistema não está bem, quase nada funciona bem.
É verdade que o nosso país já esteve muito pior, e sim, é visível que vamos evoluindo e as coisas vão realmente sendo melhoradas, mas mesmo assim continua tanta coisa mal, principalmente por que os serviços melhoram as pessoas pioram e assim concessivamente.
O que quero dizer com tudo isto? Se não estou bem neste trabalho, eu é que tenho de encontrar outro, não é? Mas isto de procurar e não encontrar nada é horrível e quando se encontra um anuncio que parece bem, vai-se a ler e não especifica nada, como é possível só dizerem treta nos anúncios? Se é verdade que querem alguém para determinada função, descrevam a função, e acima de tudo não tenham medo de dizer qual a empresa e tudo o resto, se for mesmo algo real e honesto, não há que ser ambíguo.
E o que me tira ainda mais do sério, é que para além de não especificarem nada no anuncio, o pior é escreverem no que oferecem “uma equipa jovem e dinâmica”, amas o que é isto??? Isso interessa para alguma coisa??? Metam a equipa jovem e dinâmica no… traseiro!
Por mim desde que o trabalho seja sério, que haja trabalho que paguem bem e sejam gente séria, a equipa até pode ser toda geriátrica que isso não me aquece nem arrefece, se calhar um grupo de pessoas já de setenta anos são mais simpáticos e educados do que todas as “equipas jovens e dinâmicas” que eu tenho conhecido.
Mas voltando ao que não está certo. O que não está certo é de três em três meses eu ver o mesmo anuncio para a empresa onde trabalhei à dois anos e meio atrás.
Não está certo, e vou sabendo que ou alguém como eu aguenta lá um ano a dar em maluquinha, ou todos os outros não ficam lá mais dos que os três meses do primeiro contrato que ele faz. Ora eu sei porque é que ninguém aguenta, acreditem que eu sei. Mas não devia existir um organismo que pusesse mão nisto? A segurança social de certeza que deviam ver que ele contrata gente diferente de três em três meses para a mesma função, ora ao fim de tanto tempo a culpa não pode ser dos funcionários, a culpa só pode ser do patronato, ora não permitam que ele coloque mais anúncios nem engane nem ponha mais ninguém a bater mal da cabeça. Alguma instituição devia reparar nisto e por termo a isto!
O tal dono da tal empresa meteu na cabeça que uma pessoa desta área vai fazer algum milagre pela empresa, mas que esse tal santo milagroso ainda não nasceu e que por mais que ele tente, ele só está a dar cabo da vida das pessoas que por lá vão passando enganadas a pensar que vão fazer um trabalho e o que ele quer é um milagre, ele tem de deixar de por anúncios para pessoas de design e marketing e começar a rezar pois só assim é que poderá conseguir o tal milagre que ele acha que alguém é capaz de fazer.
Mas o que ele quer já não me interessa nada, o que me apetecia era pôr-me à porta da empresa a avisar toda a gente que por lá aparecesse para uma entrevista, mas que a principio ninguém me ligasse nenhuma, sei que o escolhido no fim dos três meses ia-se lembrar de mim, e pensar que afinal eu o tinha avisado.
Mas falando a sério, se ele não renova dos contratos e termina com a extinção do posto de trabalho, porque é o voltam a deixa-lo contratar alguém para a mesma junção logo a seguir? Porque é que ninguém controla isto? As pessoas “confiam” no estado, mas a nação não protege em nada os seus cidadãos.
Vinha a conduzir para aqui e a pensar sobre o que poderia escrever hoje e nisto passa um carro por mim e eu fico cheia de urticária.
Então decidi partilhar convosco algo que me irrita tanto, mas tanto que me apetecia andar por aí a cortar aquilo tudo.
Irrita-me profunda-me os carros que ao fim do que já parece ter sido décadas ainda andam com fitinhas de um casamento cujos noivos já estão divorciados ou já tem filhos na universidade.
Tudo bem, no dia da festa acharam giro entrar no folguedo juntando-se aos restantes convidados colocando uns folhos de tule ou umas fitas nas antenas dos respetivos veículos, mas porque é que no dia a seguir já em casa e depois de ter passado a ressaca, não retiraram aquilo do carro???
Depois lá andaram eles com aquelas coisas super encardidas, só para mostrarem aos outros que aqui há uns anos alguém os convidou para um casamento.
E pior, já cheguei a ver restos de balões, apenas um fio gasto com um pedaço de plástico ressequido pendurado, que coisa tão estranha não deitarem aquela porcaria fora.
Isto de não saber quando é que a filha do dono pode aparecer aqui no trabalho, e qual o estado de espirito dela, está a fazer viver um estado de pânico e medo constante.
Odeio esta sensação de impotência e receio.
Será que ela vai aparecer? É o carro dela que acabou de estacionar? Será que vem para discutir?
Não aguento, quero não ligar, desligar, não ter medo, ser forte, mandar tudo à fava, mas não consigo.
Hoje sinto-me particularmente desiludida com tudo.
Tudo o que se passa neste nosso país, todos os sistemas, todos os representantes, todas as instituições, tudo.
Se ligo a televisão e estão a dar as noticias eu choro com todas estas desgraças, até a “descoberta” das armas de Tancos me faz ir às lágrimas.
E depois estou tão revoltada com as empresas por onde tenho passado, e ando num estado de nervos com esta em que estou, sempre com medo que a filha do dono venha gritar comigo, que disse a mim que isto tinha de terminar, não posso fugir a todos os confrontos, não posso viver em medo do local de trabalho, mas não quero defender-me gritando também, por isso o que eu acho que preciso é de ferramentas, de armas de apoio.
Então ando á dias, a tentar descobri meios, leis, para me poder defender. Mas a minha busca tem sido uma desilusão. As informações na web são antigas e não sei se estarão desatualizadas, fiz uma série de questões ao ACT que simplesmente não me responde, se têm um e-mail do site, o e-mail devia funcionar e deviam responder-me, isto porque das vezes que lá fui ao vivo e a cores, foi demasiado irreal para ser verdade. O Facebook deles costumava funcionar bem, mas agora até as mensagens eles desativaram. E de resto não consigo descobrir mais nada que me possa ajudar ou dar respostas.
Acho que se realmente ela vier gritar comigo, ou fujo ou recorro ao bluff e minto e digo que já fiz queixa e tudo, mesmo sem ter conseguido fazer, talvez o bluff seja suficiente para algo mudar…
Acho que tenho saudades do outono, do outono que tem as ruas cobertas de folhas de arvores amarelas, o cheiro de castanhas e fresquinho agradável.
E por estranho que pareça, tenho saudades de um inverno bem rigoroso, com mesmo muito frio e o desejo de ter uma lareira em casa.
Mas ao menos choveu, mas para além de saber sinto que tem de chover muito, mas muito mais.
Não só pelo que sabemos dos fogos, seca, etc., mas para lavar tudo, lavar as almas, lavar as lagrimas, lavar estas cidades, este pó, esta apatia, isto tudo.
Mas com esta chuva, esta pouca chuva, veio um cheiro horrível, abro a porta de manhã e sou confrontada com um cheiro de cuecas molhadas e terra queimada. Como também por aqui ardeu muita coisa, agora com a chuva ficou um cheiro terrível no ar, algo salobro, algo que tem de ser bem lavado, enxaguado e centrifugado, tenho ganas de meter o planeta da maquina de lavar, de retirar com cuidado tudo o que é sensível neste mundo, e meter o resto no programa da roupa branca e com muita lixivia.