Depois do dia de ontem a minha vontade é somente de fugir.
Custa-me tanto estar aqui, principalmente com a filha do patrão que aparece apenas durante algumas horas para estar aqui sentada (a 80 cm de mim) a chorar em cima da secretária.
Estou farta de só trabalhar em sítios de malucos, até porque pelos vistos o patrão até está a recuperar, será que ela chora porque já está a ver a herança a ir embora?
Claro que espero que ele não volte para cá.
Mas se o afilhado da minha mãe os médicos deram-lhe 6 meses de vida e mesmo assim ele não tem direito à reforma e só tem de baixa 450€ para viver, será que o meu patrão vai ter direito à reforma a ganhar 9000€ ao mês?
Sei lá, por onde olhe só vejo injustiças.
Mas não pensem que só me queixo, eu também ando a mandar currículos, se arranjasse outra coisa, fugia logo, se me deixarem é claro.
Hoje cheguei ao meu trabalho e descobri que o meu patrão tinha tido um avc, imediatamente fui invadida por um enorme sentido de culpa... mas eu não tive culpa, das coisas que o ouvia falar, se ele não tomasse tanto viagra e comprimidos vindos da américa, mas botox, testosterona, docolax, etc,., etc.... sim, como eu já tinha contado ele estava sentado a 40 cm de mim, eu ouvia as conversas nojentas que ele tinha com a filha, e tudo o que ele pedia para a Sr. que faz os serviços externos da empresa (que devia ser ir aos correios e bancos) mas que para o patrão passava o dia a fazer viagens à farmácia.
Claro que tive pena, tive pena de um homem de 58 anos parecer que tinha 78, e o facto dele não saber mastigar uma pastinha e passar o dia todo a fazer barulho a chupar na pastilha, estava a dar-me cabo dos nervos.
Mas eu hoje antes mesmo de vir para o trabalho não me estava a sentir bem, talvez pelo facto de ter de vir, e voltei a tomar calmantes e ansiolíticos, mas se calhar foi o que salvou a mim hoje, pois não sei como não tive um enfarte.
Como vos disse até me senti culpada quando não tenho rigorosamente nada a ver com a saúde do homem, mas pelos vistos ele andava a embirar com a forma como eu tenho o meu monitor. Ora eu tenho o monitor um bocadinho de esguelha, só para ele não estar em cima de mim a ver tudo o que eu faço. Nunca gostei que me vissem, nem professores em cima de mim nas aulas e muito menos patrões em cima de mim enquanto trabalho (ou escrevo o meu bolg). Mas ele só virava o meu monitor quando eu saia, ou para a casa de banho ou para lanchar, confesso que nem percebi que havia um problema, por isso quando chegava voltava a por o monitor no mesmo sítio.
Outra coisa que já disse aqui é que não suporto que falem que eu tenho "essa cara" ou "má cara", eu não consigo controlar a minha cara, e desde que me conheço que parece que toda a gente implica com a minha cara. Posso fazer centenas de seções de psicanalise, e tomar tudo o que é comprimido, mas acho que nunca vou conseguir mudar a cara que tenho, se quando me falam nisso passo-me pois já estou farta, impliquem com o meu trabalho, mas não impliquem com a minha cara!!!
Chega a minha do dono desta porcaria, e a chorar (presumo que de preocupação pelo pai) desata a gritar comigo que o pai dela está farto de me dizer para eu ter o monitor virado de frente para eles poderem ver e que eu ando a gozar com eles, eu na minha cara mais inocente disse que nunca ninguém me tinha dito nada, e ela grita NÃO ME FAÇAS ESSA CARA, TU ATÉ AO MEU PAI FAZES ESSA CARA! Pronto, passei-me disse que o pai dela era só dono disto e não é rei, o feudalismo cá acabou e a escravatura também, faço a cara que me apetece para quem me apetece... e depois disse umas coisas que me arrependo sobre o facto de esperar que nunca mais tenha de ver a cara dele.
Sim, estou arrependida, eu até já estava arrependida antes, como se eu tivesse poder sobre alguém, eu não tenho poder sobre ninguém, eu não sou nada.
E é assim que eu me sinto agora, nada, ninguém.
Será que é desta que me despedem?
E se não for, como posso continuar a trabalhar com ela?
Lembram-se de eu ter partilhado convosco que no meu aniversário até para tentar "quebrar o gelo" trouxe bolos aqui para o trabalho? Mas ninguém me deu os parabéns e ninguém comeu os bolos comigo. Acabei por os deixar em cima de uma mesa e só faltou foi também comeram o papel da embalagem.
Ora na altura fiquei bastante chateada. Agora entrou um colega novo para o armazém, há apenas uma semana, e como fez anos trouxe mesmo um bolo de aniversário, com tudo a que o bolo tinha direito, e até trouxe moscatel e copos.
Ora deixem-me que vos diga, se seguem este blog, sabem que já passei por mais trabalhos do que qualquer pessoa merecia passar, mas mesmo assim, em todos, sempre se tirou 20 minutinhos para cantar os parabéns e fazer-se um brinde. Já para não falar nas empresas que elas mesmo compravam o bolo para os empregados.
Pois nesta, nada... ainda disse para ele trazer o bolo e a garrafa para a sala comum, mas o novo chefe disse que comer bolo só na rua, "onde já se viu estar a comer no local de trabalho!", eu é que nunca vi gente assim.
Fiquei mesmo revoltada, mas sou sempre eu a única revoltada e anárquica... depois de almoço ainda enchi um copo com um dedinho de moscatel, foi ter com o colega, disse que era à saúde dele e deixe os parabéns.
Mas mesmo assim acabei porque me sentir triste.
Começo a achar que sou um dinossauro no mundo de robôs.
Sei que dantes queixa-me por falta de trabalho e até foi esse o motivo de ter começado este blog, mas agora deram-me tanto para fazer e sem direção nenhuma que nem sei para que lado me virar.
E eu costumava queixar-me dos meus colegas e das suas conversas de ginásio e batidos de proteínas, mas esses foram todos despedidos, e por incrível que pareça até já tenho saudades dessas conversas, sabem porquê? Porque agora estou numa sala pequenina com mais 11 pessoas e o dono da empresa literalmente em cima de mim. Ok, não literalmente mesmo, mas 40 cm de distancia para mim não é distância suficiente.
E se dantes não tinha nada para fazer, agora o novo chefe diz para fazer uma coisa, eu começo a fazer, aparece o dono da empresa e manda fazer tudo ao contrário e eu já nem sei a quem ouvir ou o que fazer, até porque não concordo com as ideias de nenhum dos dois, ao chefe ainda digo o que penso, mas ao dono da empresa não é homem para ouvir ninguém.
E pior, quando não estão a dar ordem o patrão anda a contar piadas porcas rebarbadas e improprias para o local de trabalho, e fica a olhar diretamente para mim a ver se me riu, como em vez de rir ainda faço trombas, fica chateado como os putos, digo-vos uma coisa, estou mesmo fartinha.
Estive a pensar sobre o que escrevi ontem, e acho que não me expliquei bem. Quando quis dizer que as personagens principais desses filmes e livros eram livres, bom, porque mesmo lutando contra um arqui-inimigo que lhes quer fazer a folha, eles não têm de picar o ponto.
No outro dia estive a rever o filme "Ruptura Explosiva" o original (foi para confirmar que o remake que fizeram foi mesmo mau), e não só confirmei que gosto mesmo deste filme, do Keanu Reeves, do saudoso Patrick, como tenho de afirmar que os anos 90 foram mesmo bons! Já viram os homens daquele filme? Os surfistas era todos giros, com os seu bronzes e cabelos descolorados ai ai...
Mas até tive inveja da personagem do Keanu, que mesmo sendo agente do FBI andava a fazer o que lhe apetecia. E a personagem do Patrick que só queria ser livre.
Estive a pensar sobre o meu post de ontem, e das duas uma, ou estou farta da sociedade ou das pessoas que habitam nela.
Mas acho que o problema são só algumas pessoas, na realidade o mal é desta sociedade. Lembrei-me do filme que adorei, ADOREI MESMO o "Capitão Fantástico" e este do farol, estar longe/fora do sistema deve ser muito bom.
Deve ser por isso que sou atraída por filmes e livros de fantástico, fantasia ou ficção, que são quase sempre passados em sociedades que nunca existiram, já passaram ou pré e pós-apocalípticas.
Dá-me ideia que dentro deste contexto as personagem e heróis destes livros e filmes têm algo porque eu anseio, LIBERDADE.
Sempre gostei de faróis, não sei se pela proximidade com o mar, se pela magia da luz, a função de direcionar um caminho, um porto de abrigo, não sei o porquê, mas sempre gostei.
Claro que aqueles icónicos às riscas brancos e vermelhos, são os mais bonitos, mas julgo que nunca vi um assim de verdade.
Este fim-de-semana vi o filme " The Light Between Oceans", primeiro gosto dos atores, e gosto do facto deles se terem tornado um casal durante o filme, mas fiquei com uma enorme vontade de arranjar um farol numa ilha que me queira para ir lá morar, sozinha só com o meu homem e uma mãozinha de animais, e viver em paz.
Os faróis já não precisam de faroleiros o que eu acho terrivelmente triste, na verdade com os radares e gps's já nem há necessidade de faróis.
Ás vezes parece que tudo o que é romântico morre, talvez o único filme para o qual estamos a caminhar seja um exterminador implacável, governados por máquinas e onde somos completamente desnecessários.
Vou eu tão triste de manhã porque vou para o trabalho como se de uma penitencia se tratasse, e oiço na M80 dizerem que morreste, não acreditei por momentos pensei que as gajas da M80 estavam parvinhas de todos, e que nem doida, passei todos os postos de radio à procura de alguma pista de alguma noticia sobre ti, rezado para que tivesse ouvido, mal. Quando a Radar confirma que tinha morrido, não consegui parar de chorar. Eras dos poucos que restavam do meu adorado grounge, a tua voz, a tua força. E eras tão lindo.
Cada vez que ouvia "Black hole sun" lembrava-me do Kurt Cobain, e como também chorei quando ouvi que o Kurt se tinha matado. Estava sozinha em casa, liguei a radio e ouvi, cai no chão do corredor e chorei, chorei...., já ninguém ia escrever e cantar como ele.
E como tu? Vão-me todos deixando um pouco órfã, e agora tu, tu porquê? Tu não, tu ainda tinhas tanto para dar, tanto para viver...
Já estou como a tua esposa, a culpa é dos médicos e dos medicamentos, só dão coisas tão fortes que depois já nada existe... é tudo tão triste, tão triste.
Proíbo que mais nenhum musico morra... pelo menos este ano.
Hoje estava a pensar em voltar a falar de bolos, só para fugir ao que me aflige. Este meu trabalho está a ficar igual a tantos outros por onde infelizmente já passei, com chefes abusivos e mal-educados, que julgam que a escravatura ainda existe e que todas as manhãs nos devíamos ajoelhar aos seus pés e agradecer o facto deles nos terem dado trabalho.
Quero fugir deste assunto.
Ia a conduzir para casa e olhei para cima e invejei a cegonha que voava livremente no céu.
Invejar é um sentimento como outro qualquer, e não tenho vergonha de o fazer.
Dei por mim a divagar na inveja que sinto destes milenares, ou lá como chamam à miudagem de hoje em dia. Que acordam a meio da tarde, vão ao computador, fazem uns jogos, comem qualquer porcaria, pedem dinheiro aos pais (que lhes dão porque os miúdos até são bons, não se metem em drogas nem em chatices e até estudaram, a vida é que está complicada), com o dinheiro dos pais vão beber umas cervejas e fumar umas brocas e dar uns beijos e estar com outros, e voltam para casa de madrugada e vêm uns programas do youtube ou alguma série no computador (eles não precisam de ecrã de 300 mil polegadas) e deitam-se ao que parece sem chatices para retomar uma rotina igual em expectativas....