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Lolita no Arame

Lolita no Arame

31
Mar17

aqui

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Estou tão farta deste emprego, tão farta que já nem tenho vontade de partilhar convosco as coisas que por aqui se passam.

Estou tão farta e a necessitar de algo de um objetivo de fazer algo que me realize de apreender coisas novas.

Mas não sei sequer por onde começar, este emprego pôs-me tão oca, e tudo pelo que passei moeu-me tanto que não tenho vontade de nada, mas sei que não me parece que vá aguentar muito mais isto como está.

Até já pesquiso no google como ser feliz, o que leve a sites mórmons e coisas do género, até esses sites eu leio, não descarto nada, cenas de mindfullness, papo tudo e ao mesmo tempo nada.

Parecem que todos os conselhos são sempre os mesmos e não discordo que não estejam corretos, mas para quem não tem dinheiro e vê-se obrigada a trabalhar, não há como por em prática alguns conselhos, á para não falar na falta de tempo. Nunca percebo como é que há pessoas que depois do trabalho ainda vão ao ginásio e fazem isto e aquilo, e o fim-de-semana delas deve ter mais horas que o meu, ou isso ou têm dinheiro e com ele têm uma empregada que lhes limpa a casa e faz o comer.

E o emprego delas deve ser fantástico, só assim imagino terem força para depois de saírem ainda irem fazer mais coisas.

Os meus dias nunca dão para nada e o pior é que os passo sentada a ver o tempo passar e a tentar aguentar-me só a pensar no ordenado ao fim do mês e todos os meses é a mesma coisa, e todas as semanas anseio pelo fim de semana e todas as horas são um ouroboros que não sai do mesmo sitio.

30
Mar17

fofos de coco

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Para adorar o dia de hoje que entretanto está a ficar nublado (pelo menos para estes lados), decidi fazer uns fofos de coco, mas armada em esperta fiz apenas meia receita, e como não me apeteceu dividir um ovo ao meio (era fácil, é só partir, mexer e juntar apenas meio ovo) então meti o ovo inteiro e a mistura ficou demasiado liquida, então para salvar, vai de juntar coco, e ficaram lindos, mas com tanto coco devia ter colocado mais açúcar, então saíram uns fofos lindos do forno, mas pouco doces, e se por um lado faz bem, por outro não colmata o meu desejo de doçura para hoje, por isso deixo-vos aqui a receita original.

FOFOS DE COCO

INGREDIENTES:

100gr. de manteiga derretida

125 gr. de açúcar

2 gemas

1 ovo

100 gr. de coco e mais um pouco para polvilhar


Misturar todos os ingredientes (a mistura não pode ficar liquida), ligar o forno a 180º, forrar um tabuleiro com papel vegetal, e colocar montinhos da mistura (eu fiz rolinhos e fiz uns golpes por cima a imitar os biscoitos "lesmas" conhecem?), polvilhar com coco, e levar ao forno por 10 minutos ou até ficarem douradinhos.

E pronto, já está!

29
Mar17

pela sala

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Na pela sala sempre dormiram no mínimo três pessoas, quando a minha avó faleceu foi o meu irmão adotivo que ocupou o sofá.

Até que ficou vazia..., mas isso é outra história, porque enquanto lá dormi no mínimo foram sempre três pessoas.

E para além da casa ser minúscula, sempre tive a sensação que os prédios estavam todos colados e pegados sem espaço para nada.

Não podia saltar que fazia barulho para baixo, não podia ouvir musica que incomodada o vizinho de cima, pela racha da parede consegui ouvir a vizinha do lado a ressonar, e pela janela via os outros prédios.

Sempre me entristeceu não ver verde de natureza nem azul do céu, isto é, sem sair de casa, pela janela só se via os outros prédios, para ver o céu tinha mesmo de abrir a janela e por a cabeça de fora.

O que hoje toda a gente gosta dos azulejos dos prédios de Lisboa, na altura irritava-me, eram repetitivos, hipnóticos, sem imaginação.

O que valia era se me pusesse em cima da sanita na cozinha e inclinasse a cabeça conseguia ver o rio, mas o trabalho que dava para ver um pedacinho do rio.

 

 

 

28
Mar17

lá por casa

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Agora que contei algumas coisas sobre a casa onde cresci já devem acreditar quando eu digo que sou pobre, que eu sou mesmo pobre.

Não sei se da descrição deu para perceber que a casa só tinha uma sala um corredor, um quarto e uma cozinha que também fazia as vezes de casa de banho e era tudo super minúsculo.

Na sala no sofá grande dormia o marido a minha avó, como ela não gostava dele, ela dormia num sofá de uma pessoa que abria em cambalhota e o meu irmão dormia outro igual, todos na sala, e eu e os meus pais dormíamos no quarto. Gostava de poder dizer que eu dormia no chão ou numa cama à parte, mas não dormi com eles até ao marido da minha avó falecer, aí ela mudou-se para o sofá grande e mudaram a disposição da sala (era tudo igual, mas ao mudar eu a ideia que ficava diferente) e meu irmão continuou no sofá dele e eu fui para o da minha avó.

O sofá cambalhota já tinha alguns anos, e vou-vos contar, a certa altura eu acreditei que era mais confortável estar mesmo deitada sobre o chão do que sobre ele. Por isso também posso fizer que até aos trinta e tal dormi no chão. A minha mesa de cabeceira era o chão, ou melhor, foi até me terem pisado os óculos a caminho de ver algo na janela, aí passei a por tudo atrás da minha almofada e por isso ficava com os pés de fora, mas os pés podiam magoar mas não partir e óculos partidos eram mais difíceis de substituir.

 

 

27
Mar17

memórias

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Consigo lembrar-me da cara do marido da minha avó que morreu á trinta anos atrás, mas não consigo lembrar-me de colegas de empregos de á dois anos...

mas apesar de me lembrar da cara dele, não consigo me lembrar de muito mais. Se como vos contei a nossa casa era tão pequena como não me lembro de ele ir à casa de banho? Na minha cabeça ficou apenas a memória dele estar sempre no sofá grande da sala, e mais nada. Claro que me lembro do medo a ele que a minha avó e a minha mãe incutiram-me, sempre a dizerem para eu não falar com ele para eu não me sentar desta ou daquela maneira senão ele via-me as cuecas... tudo coisas que nos marcam e não da melhor maneira.

Quando ele morreu, a minha mãe quis que eu me vestisse de preto, não compreendi bem o porquê, pois não era suposto eu gostar dele, mas ela lá quis e deparou-se com um problema, naquela altura as lojas de roupa infantil não tinham nada em preto. A única coisa que ela arranjou foi uma camisola super grossa e polar preta com um enorme urso polar (branco) na frente. Na altura não achava piada nenhuma ao preto e não gostava nada da camisola principalmente porque tive de andar uma semana inteira só com ela, acho até que depois disso não a voltei a vestir.

O enterro dele foi no dia do pai e lembro-me de para não termos trabalho lá em casa, de se ter ido buscar uns frangos assados e do meu tio dizer que de certa forma se estava a festejar o dia do pai... tudo coisas que uma criança não consegue compreender bem.

Antes dele já tinha perdido o meu avó paterno, não tenho a certeza de que idade tinha na altura, mas lembro-me do meu pai estar muito triste, mas o funeral foi tão giro, ele era bombeiro e os carros dos bombeiros saíram e os bombeiros também todos vestidos em vermelho e nós fomos à frente do cortejo, lembro-me de ser bonito e muito triste ao mesmo tempo, e lembro-me também de ter ficado aflita para fazer xixi e de me terem posto a fazer no cemitério, lembro-me de estar muito aflita mas achar aquilo errado e de me convenceram que não fazia mal... ora vamos lá analisar, fazer xixi numa campa sem ninguém ver não faz mal, mas não andar de preto para os outros verem isso já faz, os adultos têm lógicas muito estranhas.

24
Mar17

coisas de criança

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Das lembranças que tenho de criança, sei que tinha o constante medo de ser abandonada. Não penso que este seja um medo comum tendo em conta a quantidade de miúdos que se aventuram e se distraem por aí.

Eu acho que pensava que era um fardo e como tal a qualquer comento me ia abandonar.

Das vezes que me deixaram sozinha em casa, ok, sozinha não com o marido da minha avó que não se levantava do sofá e diziam-me sempre para não falar com ele e para ficar sossegadinha que já vinham, e eu só pensava, pronto, é desta que nos abandonam aos dois. Mas a verdade é que sempre voltaram, mas os minutos que ficava "sozinha" eram um terror para mim.

Tenho muito poucas recordações do marida da minha avó, sei que só o chamavam de velho e me disseram que ele não era o meu avô. O meu avô materno morreu com 24 anos quando a minha mãe só tinha três anos. Vá-se lá saber o porquê a minha avó voltou a casar seis anos depois com este homem, ele fez-lhe um filho na "lua-de-mel" e fugiu para o brasil um mês depois..., mas voltou vinte anos depois, velho e doente, e dá-me a intender que desde que chegou deitou-se no sofá da sala e de lá não voltou a sair.

Quer dizer ele lá acabou por sair, deixado em mim uma memória para nunca esquecer.

Tinha eu 11 anos e estava na mesa da sala a fazer os trabalhos de casa de matemática, e ele diz para mim "olha menina, diz adeus ao avô que ele vai embora".

Enchi-me de um terror inexplicável e intendi o que ele queria dizer.

Como ele sabia eu nunca vou fazer ideia, ele estava ali bem, mas disse-me isto do nada, eu não cheguei a dizer-lhe adeus, eu fugi para a cozinha e agarrei-me ao meu irmão e contei o que se tinha passado, o meu irmão também não foi à sala, chamou a minha avó e quando ela lá chegou ele já tinha partido.

Só voltei à sala uma semana depois.

23
Mar17

vergonha

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Esta semana falei de lembranças, e também tenho aqui falado que sou pobre...

E ontem veio por duas vezes em conversa os banhos que nós (a minha família tomava). Uma dessas conversas foi com o meu homem, e por mais tempo que nós estejamos juntos, eu continuo a ter vergonha, tenho vergonha e tenho medo que ele tenha nojo de mim, e esta sensação é horrível, é como um pecado que não conseguimos limpar na alma, mas neste caso é algo que faz parte da minha história e da qual eu não tenho a culpa, mas foi assim e não dá para alterar, mas não deixo de sentir vergonha.

Há pessoas que gostam de relembrar "nós eramos tão pobres que fazíamos isto assim..." será que algum dia vou achar graça e relembrar sem sentir vergonha?

É que eu só aos 25 anos é que tinha uma casa de banho. Antes disso os 25 anos anteriores eu tomei banho num alguidar, um alguidar enorme que depois pendurávamos por cima do lava loiça, e a pia, era uma pia e não uma sanita, e ficava ao lado do fogão, e a cozinha não tinha porta tinha uma cortina que só a fechávamos quando queríamos ir "á casa de banho".

Os banhos consistiam em aquecer uma chaleira de 5 litros de água, acreditem, demora muito tempo por isso existia a necessidade de programar quando se pretendia tomar um banho, e depois temperava-se a água quente com água da torneira e era um banho estilo banheira, mas não era uma banheira.... e foi assim durante anos até eu me ter tomado consciência de que se a água não estivesse a correr, não era bem um banho, era mais um chapinhar na mesma água, então arranjei outro alguidar mais pequeno e uma "caneca" e passei a tomar o que era mais ou menos uma espécie de duche.

E foi assim até ter 25 anos.

Agora podem imaginar que não levei amigos a casa, quer dizer no sétimo ano levei uma amiga que deixou de falar comigo depois de conhecer a minha casa, tive de lhe perguntar porquê, e ela respondeu-me que era por eu ser porca porque não me devia lavar pois não tinha casa de banho. Isto marcou-me tanto, ninguém pode imaginar como as palavras dela me marcaram, ainda hoje "cego" á mais leve referencia que eu possa ser porca, como quando a minha sogra me deu panos do pó pelo Natal, ela não fez por mal, mas eu cá por dentro fervi.

E sim, tenho muita vergonha e tenho medo que tenham nojo, mas eu não tive a culpa.

 

22
Mar17

batatas

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E hoje para acompanhar o jantar temos gratinado de batatas.

E como é só para dois a quantidade de ingredientes foi a olho.

Cozer duas batatas, pode ser com casca e tudo e durante pouco tempo, pois elas ainda vão ao forno.

Refogar uma cebola às rodelas com uma colher de manteiga e assim que começarem a suar, juntar uma mão de bacon ás tirinhas. Deixar refogar e juntar uma colher de farinha, mexer bem e adicionar um pacote de natas, voltar a mexer tudo até ficar bem ligado e juntar uma mão de queijo ralado.

Num tabuleiro alternar rodelas de batatas com o creme de cebola, bacon e queijo e levar ao forno a gratinar.

Hum, tão bom.

21
Mar17

porque é que é tudo assim?

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Este é mais um desabafo sobre as empresas e os trabalhadores de hoje em dia.

Digo de hoje em dia porque eu devo ser de outro tempo e acho isto tudo inadmissível, mas começo a achar que mais ninguém se importa que que agora toda a gente é assim e pronto. Mas irrita-me tanto!!


Como gaja parva que sou e vendo que o meu carro estava a 2000km de ter de ir à revisão, o que fiz tentei fazer logo uma marcação, para ficar tudo marcadinho e eu descansadinha.

Então com três semanas de antecedência começo a ligar para a oficina da marca (ainda por cima da marca do veiculo, não uma oficina qualquer de vão de escada!) e durante uma semana nunca consegui que me atendessem o telefone, não acho isto de todo normal, mas como na semana seguinte consegui que me atendessem, pensei que tivesse sido uma semana complicada.

Então com duas semanas de antecedência faço a marcação, e pergunto quanto tempo demora, 1 hora a 2 horas, ok, fantastico, pergunto também se têm carro de substituição, não, não têm, ok, eu cá me hei-de arranjar.

Chegando o dia (ontem) lá estou eu à hora marcada às oito da manhã cheiinha de sono, para deixar o carro, até ai tudo bem, mas quando pergunto quando é que posso ir busca-lo, dizem-me que por volta das 16 horas, OQUÊ??? Mas á duas semanas a trás disseram-me que demorava apenas entre hora a hora e meia, e marquei com tanta antecedência. Ficaram a olhar para mim como se eu fosse verde e eu fosse a primeira pessoa verde que alguma vez tivessem visto, por isso lá está, começo a achar que devo ser mesmo diferente de todas as pessoas.

Mas disseram-me que não me preocupasse que podia até ficar pronto antes, mas que me ligavam. Como é que eu não me preocupo, são eles que organizam a minha vida? Como é que vou para o trabalho e como vou almoçar e volto para o trabalho e vou buscar o carro? Tudo isto necessita de logística e eu necessito de tempo para pensar em tudo.

Mas pronto, que podia eu fazer. Então lá fiquei à espera, até às 16 horas, aí já não aguentei esperar mais e comecei a ligar para lá, ninguém me atendia. Sabendo eu que a oficina fechava às 18:30, às 17:30 recorri ao apoio ao cliente e expliquei que ninguém me atendia da oficina, lá me deram um contacto móvel, eu liguei e disseram para ir busca-lo às 18 horas.

Resumindo, uma coisa que me tinham informado que deixando o carro na oficina às oito da manhã o podia ir buscar às 10 o mais tarde, acabou por ser às 18horas, e com isto tive eu de estar constantemente a pedir boleia para aqui e para ali, e eu não suporto ficar a depender de terceiros.

Lá pedi no trabalho para sair durante um bocadinho e lá fui eu, entretanto já me estava a ligar que já não tinham mais nada para fazer, queria fechar a oficina e só estavam à minha espera AGORA A SÉRIO, ALGUÉM ACHA ISTO NORMAL???

Mas pronto, ainda consegui voltar ao trabalho que só saiu às 19, e ir para casa no meu pópó, super cansada.

E já nem vos vou falar sobre o preço, isso fica para outro dia.

20
Mar17

lembranças

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No meu ultimo post falei das minhas memórias difusas que tenho de criança.

Lembro-me que sempre me senti só, sempre.

Lembro-me de sentir o peso de tudo, como se em muito pequena me tivesse logo dado conta que a vida é finita, mas se o tempo é tão precioso como é que o agarramos????

Lembro-me de ao lavar as mãos ficar triste quando o sabonete acabava e tudo ia com a água, como se tudo fosse uma enorme analogia e tudo estava fora do meu controlo.

Julgo que esta fase nunca passou, acho que ainda estou a passar por ela, serei diferente, haverá mais gente como eu?

Também sei que estive sempre muito doente em criança e por isso as minhas memórias são do papel de parede que tinha uma floresta (coisas dos anos 70) e do papel do teto que tinha uma textura de grãos de arroz.... não, não tive uma infância muito feliz, mas sei que existem infelizmente muito, muito piores, mas a forma como lidamos com as coisas depende de nós e de como nós fomos na nossa essência.

Hoje é o Dia da Felicidade, mas sei que já nasci com esta espécie de tristeza dentro de mim, quer dizer não sei que é bem uma tristeza, posso ver apenas como uma constante insatisfação, tristeza é triste, mas insatisfação significa que queremos sempre mais, procuro sempre algo melhor, algo que me faça feliz.

 

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