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Lolita no Arame

Lolita no Arame

16
Dez16

9 dias para o Natal

lolita

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 9 dias para o Natal e eu ainda não sei o que cozinhar!

Sim, esqueci-me de vos contar se sou assim a modos que maluca pela cozinha, e cozinhar e comer estão de mãos dadas com o Natal.

Acho que das memórias que mais acarinho tem a ver com o facto de nos dias a seguir ao Natal a mesa continua posta, e os meus pequenos almoços incluem rabanadas durante as semanas seguintes. Não sei explicar, mas amo, sair da cama e ir comer uma rabanada já com alguns dias, parece que o sabor do Natal assim dura mais do que apenas o dia da consoada e o dia de Natal.

Mas também confesso que desde que sou eu a tomar conta da cozinha (já lá vão no mínimo duas décadas) que entro numa espiral de maluqueira sem fim, não consigo descansar antes de fazer tudo o que tinha em mente, e se não consigo, não tenho paz porque sinto que faltou algo, e depois costumo ficar tão cansada que até fico doente.

Mas gosto que a mesa tenha de tudo, frutos secos, cristalizados, queijos e presuntos, uma entrada, sopa, prato principal, e depois lá está, não pode faltar o bolo de rei (que já tentei fazer por duas vezes e acabei por desistir, vá lá, sempre é menos uma coisa para fazer) as rabanadas (de duas qualidades de preferência) as broas, os sonhos (com calda), as filhoses, uns formigos ou aletria, um troco de natal ou bolo temático... acreditem não consigo parar até ter tudo feito, e depois fico com o coração a mil.

O ano passado acabei por passar a noite abraçada à sanita e não foi porque alguma coisa que fiz estivesse estragada, até porque depois com a crise de nervos com que fico nem consigo comer, mas depois os nervos dão-me para ficar maldisposta e vomitar.

Todos os anos digo a mim mesma que não vale a pena, ´hoje em dia ninguém come quase nada e depois se não sou eu a comer os restos durante semanas, acaba tudo por ir fora, mas não consigo parar, há sempre uma receita nova que quero experimentar!

 

15
Dez16

10 dias para o Natal

lolita

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Não me lembro quando é que descobri que o Pai Natal não existia, na realidade acho que nunca descobri, pois apesar de tudo até me custa escrever esta frase.

Adoro tudo o que é mágico (à exceção dos mágicos e ilusionistas, desses não sei o porquê, mas não gosto nada), adoro o Pai Natal, os duendes, fadas, gnomos, sereias, bruxas, princesas, príncipes, cavaleiros, puxa, adoro tudo que dê magia e luz ao mundo.

Mas nunca vi nenhum e assim sendo meto tudo numa gaveta ao lado da fé, e por isso tudo o que é magico e bonito cabe dentro do Natal!

Já vi coisas no céu, por isso acho que podemos dizer que eles andam aí. Mas nunca vi o trenó do Pai Natal, nem ouvi o OH OH OH, e muito cedo começaram-me a deixar abrir os presentes assim que batia a meia noite. Mas continuava a haver magia para os meus olhos, muito ou pouco, fosse o que eu desejava ou não, na noite de Natal tudo é magico, nunca compreendi como é que uma casa tão pequenina podia esconder tantos embrulhos, por isso não me venham dizer que não é magia, onde havia dias que se discutia porque não havia nem espaço para esticar os braços, como é que naquela noite do ano apareciam embrulhos que todos os cantos da casa, e a salinha ficava cheia de papel de embrulho e laços que me davam até à cintura... era mágico, era lindo!

 

14
Dez16

11 dias para o Natal

lolita

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Pois é o Natal já está quase à porta, e só me falta arranjar alguma coisa para oferecer aos cunhados...

Devia seguir o calendário do advento, mas acabo por me esquecer e sigo sempre o meu próprio calendário e TENHO de decorar a casa e montar a arvore de Natal sempre no primeiro dia de Dezembro!

Em casa dos meus pais tinha um presépio super antigo que a minha mãe conta que a avó dela gostava de todos os anos comprar uma figurinha nova. A verdade é que quando tive idade para perceber, aquele presépio não era em nada historicamente correto, e começou-me a fazer uma certa confusão, então comecei a retirar as personagens que eu sabia que não podiam ter existido no tempo do nascimento do menino Jesus.

Mas o presépio era enorme e mágico e tinha regras, primeiro antes de fazer a minha mãe ou avó tinham de comprar musgo fresco, e o meu pai no verão trazia pedras da praia para com o musgo contruirmos montanhas, e lagos (a água dos lagos era com o embrulho interior dos ovos da pascoa), e tínhamos de primeiro colocar as luzes, pois no lago tinha de ficar uma luz azul que ficava de certo modo escondida pela ponte, mas fazia reflexo no papel de prata e iluminada o pescador na outra ponta do lago. Na fogueira tinha de estar uma luz vermelha, como é obvio, e à volta da fogueira havia quem estivesse a fazer um churrasco e havia um bailarico com dançarinos e todo o género de músicos, e num dos montes fica um castelo que tinha de ficar sempre na ponta oposta da cabana no presépio, pois na minha cabeça o castelo é do herodes o que mandou matar os bebés. E no outro monte ficava um moinho e a descer do moinho vinha o moleiro com o burrinho carregado que ia a caminho do padeiro, e dentro do forno tinha de estar também uma luz vermelha, era muito difícil conseguir luzes que batessem certo com tudo, já para não falar que por de trás no menino Jesus tinha de estar escondida uma luz amarela para ele ficar a brilhar... nunca me cansei de fazer o presépio.

Já a árvore de natal com o tempo comecei a implicar, porque as bolas eram demasiado velhas e sem graça, mas comprar novas era quase falar mal de toda uma história pessoal.

Em minha casa comprei um presépio bonito, mas só tem o menino Jesus, a Nossa Senhora, São José e os três reis magos, sinto falta de todo o resto... e há dois anos a trás estava eu a arrumar o presépio e a ver na televisão uma reportagem super triste sobre os sem abrigo e fiquei à beira das lagrimas e não sei como aconteceu mas o Baltazar caiu-me das mãos e partiu a cabeça em mil pedaços, fiquei em pânico, onde é que ia arranjar outro igual, em lado nenhum, ainda estou para saber como mas lá consegui colar-lhe a cabeça e só de perto é que se nota o acidente que ele sofreu.

 

13
Dez16

12 dias para o Natal

lolita

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Puxa, ontem o meu dia aqui no trabalho foi mesmo terrível, a sério que começo a acreditar que já não há profissionais e que toda a gente se está nas tintas para o trabalho que faz.

Depois quero desligar destes problemas que não são problemas de verdade e acabo com um novelo de problemas na minha cabeça que parece que não consigo de modo algum resolver.

Vejam lá que até chorei enquanto conduzia para casa porque queria comprar lacinhos para colocar nos embrulhos de Natal, mas sei que ninguém vai ligar aos lacinhos e eles acabam todos no chão e depois já sem espaço onde guardar coisas, acabou a apanhar tudo e a por no lixo, ora então para que vou eu comprar algo que daqui a 12 dias vai para o lixo? Mas depois fico tão triste por eu queria mesmo por lacinhos nos presentes, e a seguir revolto-me com a facto de o ordenado ser uma miséria que até me faz poupar numa coisa tão simples como meia dúzia de lacinhos, e pronto já está formada a bola de neve que vai criar a avalanche na minha cabeça, e desato a chorar porque é tudo injusto, porque é que tenho um emprego tão mau cheio de chatices com um ordenado miserável que não dá para nada e vivo neste sufoco, quando eu sei que merecia melhor?

Quando era mais nova todos os anos mandava postais de natal para todos os amigos, chegavam a ser uns 50, eu tinha ainda muita vontade de tudo e como tal arranjava tempo de fazer eu os postais, e depois misturava no monte dos postais do meu irmão e ele acabava por enviar tudo para os correios sem saber lá muito bem que lá iam também os meus.

Entretanto acabei por enviar só dois postais para duas amigas que nunca se esquecem de enviar para mim, e eu adoro coloca-los junto da arvore de Natal.

Este ano enviei também para uma amiga que me apoiou muito.

E sonho com o dia em que hei de voltar a enviar uma montanha de postais para toda a gente, pois hoje em dia é tão raro que ainda sabe melhor ir ao correio e descobrir que alguém nos enviou uma mensagem especial!

12
Dez16

13 dias para o Natal

lolita

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Na passada semana, estava eu com a cabeça feita em água, porque estava com alguns problemas, o meu cão tinha sido operado, o meu irmão ligou-me a dizer que a nossa mãe tinha desmaiado, estão a ver os filmes e como eu me devia estar a sentir, e cheguei ao trabalho depois e sentei-me bastante cansada e com o coração a mil, quando me aparece o meu chefe e me pergunta se já tinha visto o e-mail que ele me enviou que tinha a lista do que escolher para o jantar de Natal, e ficou à espera da minha resposta, mas ficou em pé ao lado na minha secretária enquanto batia insistentemente com os dedos nela. Ora eu completamente afogueada e sobre pressão, li que havia robalo, salmão, carne de porco à alentejana, e sobre a insistência dele disse a carne de porco e ele lá foi embora.

Assim que consegui olhar melhor para o dito e-mail vejo que é jantar de Natal e surte-me a duvida de nós temos duas horas de almoço porque é que há de ser jantar e não almoço, e ainda por cima a 30 quilómetros de casa, o que significa que à vontadinha ia demorar uns 40 minutos a chegar a casa, à noite, cansada. E eu tenho um GRANDE historial de adormecer ao volante. Na realidade eu se tiver mesmo com sono, eu adormeço em qualquer lado a fazer qualquer coisa.

E por isso fiquei logo sem vontade, mas continuado a ler o e-mail ainda descubro que é 18€ por pessoa, PÉRA LÁ, eu ainda tenho de pagar???

Neste empregos e trabalhos todos que já aqui tenho contado por onde tenho passado, NUNCA TIVE DE PAGAR O CONVIVIO DE NATAL, NUNCA! E com sorte ainda me dão mais qualquer coisa.

Estive o fim-de-semana todo a matutar que não quero ir, ora eu estou a comprar presentes de natal muito mais baratos que o dito jantar. Eu que adoro oferecer presentes, porque recebo muito pouco neste emprego estou a comprar para as pessoas que amo lembranças super baratas, e vou gastar 18 euros com eles?!

Eu sou a primeira pessoa que acha que para se comer bem, muito dificilmente se paga pouco, e não sou como aquelas pessoas que no carro têm de meter gasolina da mais cara, mas depois para comer só compram porcaria, não. Acho que se tiver de gastar dinheiro gasto em comer, se for muito barato desconfiem, afinal é com o que vão nutrir o vosso corpo, e sim, nós somos o que e como comemos.

Mesmo que o comer fosse super fantástico, vou gastar 18 euros que não tenho com eles... esta questão não parava de dar voltas e mais voltas na minha cabeça.

No emprego antes deste fizeram um almoço de natal, também a uns 30 quilómetros do local de trabalho e como a empresa era grande, com toda a confusão que houve, só chegamos para almoçar às 16 horas, eu já estava para lá de esganada de fome, já me sentia era mal disposta, e depois quando finalmente comi, às 17 horas, o comer caiu-me na fraqueza e fiquei a sentir-me super mal, e com o comer, falar, etc. só saímos do restaurante às 20 horas, estava completamente de rastos, e para quê, no final acabei por me vir embora, para que é que eu estive a perder tempo com pessoas que nunca mais voltei a ver, que nunca mais devem ter pensado em mim e provavelmente nunca mais os volto a ver, nem a saber se estão mal ou bem.

Eu sei que aqui ninguém fala comigo e se fosse jantar com eles, eles iam ver que eu sou divertida e animada e etc., sei lá, mas vale a pena o esforço?

Então hoje enchi-me de força, mas não tive coragem de dizer que não ia... mas agora à tarde, lá me voltei a encher de coragem e lá disse que não podia ir, ninguém chorou ou perguntou porquê (tinha já pensado numa dezena de mentiras), mas voltado a pensar no que é o Natal, o Natal é estar e cuidar e nos darmos a quem amamos, não a quem não quer saber de nós, e tenho de parar de ir a jantares e fazer sacrifícios porque quem não me é nada!

 

09
Dez16

16 dias para o Natal

lolita

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Como já vos disse, o Natal não é só presentes, mas eu gosto muito da parte dos presentes.

E gosto de compra-los ou faze-los e até gosto, vejam lá, de os embrulhar, adoro embrulhar os presentes e ir começando a fazer um montinho de debaixo da árvore de natal, dá-me um prazer tremendo.

E não vos vou mentir, ficou sempre um bocadinho triste porque ninguém repara do trabalho que eu estive a fazer os embrulhos.

Eu nunca quero que façam o embrulho na loja, sei que pareço uma velha a falar, mas é verdade, antigamente as lojas ainda se davam a algum trabalho a encomendar papel diferente todos os anos e faziam embrulhos giros, não há muito tempo, quanto o El Corte Inglês abriu cá, faziam uns embrulhos lindíssimos, até colocavam anjinhos e tudo. Agora as lojas têm os envelopes de papel mais ranhoso de todos os tempos, até chega quase a ser transparente, e a prenda fica para lá dentro do envelope a dançar sem graça nenhuma.

Eu gosto de escolher um papel bonito, temático ou que tenha a ver com a pessoa que vai receber o presente. E gosto de enfeitar ou com a fita cola, que agora há tão gira, ou com fitas de verdade, etc. e faço sempre uma dedicatória, é isto que eu me refiro que presentear é dar amor, é não fazer um frete e comprar qualquer coisa e entregar um embrulho todo maltrapilho e não ligar se quer à reação de que recebe.

E já falta tão pouco para o Natal e ainda só tenho metade das prendas e ainda nem pensei nos embrulhos, ai ai...

07
Dez16

18 dias para o Natal

lolita

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Não quero que depois de lerem o post de ontem (19 dias para o Natal) julguem que eu penso que o Natal é apenas presentes.

Não, é claro que não, mas têm de concordar que é uma parte importante, e não por esta coisa do consumismo ou de gastar de dinheiro, acho que é uma parte importante até porque acabamos por fazer uma seleção de quem para nós é realmente importante. Talvez durante a ufa-ufa do dia-a-dia, pensamos que temos montes de amigos e família, mas no Natal descobrimos que só temos de dar quatro ou cinco presentes, é importante pensar nisto, são essas pessoas que são nossa família, que estão connosco e merecem a nossa atenção ao pensarmos, hum... o que vou eu este ano oferecer a esta pessoa.

Só o facto de perdermos um bocadinho do nosso pensamento a pensar nisso já é dar, já nos estamos a dar a essa pessoa. E se depois acabarmos por comprar algo super caro ou apenas fazemos umas bolachas para dar, já estamos a presentear essa pessoa, e isto basicamente é amor!

E amar é lindo, e dar amor é tão bom, e como tal é obvio que sabe super bem, abrir um presente e descobrirmos algo que realmente precisávamos ou queríamos, significa que essa pessoa também nos ama.

É por isto também (mas não só, é claro) que o Natal é amor.

Pensem no que vão dar, pensem no que iram receber e pensar que não custa nada demostrarmos amor, não é preciso perdermos a cabeça e vários ordenados num centro comercial.

Natal é amor, é dar (amor) e receber (se tivermos sorte de ter pessoas na nossa vida!).

E é apenas 1 dia em 365 dias do ano, não custa nada!

 

06
Dez16

19 dias para o Natal

lolita

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Adoro o Natal, ok, pronto, já gostei mais, a culpa é deste ano que está a dar cabo de mim.

Mas sempre adorei o Natal, é como já vos contei, quem é pobre não recebe coisas todos os dias, pelo menos não no meu tempo, sei que agora tudo é mais acessível, e as pessoas já não são tão exigentes, nos 80's e 90's existia muito mais o culto das marcas, os miúdos queriam os ténis da marca tal, as calças da marca x, o blusão xpto... e nessa altura ainda ficávamos nervosos a imaginar que iam descobrir na escola que a marca que dizia nas calças não era verdadeira, que eram da feira.

Agora anda tudo feliz com coisas da feira, do Lidl ou na Primark.

Os miúdos agora vão para a escola vestidos de azul e verde que a minha mãe sempre me ensinou que não nos devemos vestir de azul e verde, pois azul e verde é ranho na parede (era uma rima para decorar e não esquecer, pois ranho na parede é nojento, e supostamente conjugar estas doas cores também o é).

E por isso ainda mais me irrita quem não gosta do Natal e dá a desculpa que é uma época de consumismo, ora só dá quem quer, ninguém anda a obrigar ninguém!!!

Por isso não se queixem, ora, eu não me queixei no ano em que a minha sogra me deu um conjunto de panos do pó, pois não, nem me queixei no ano em que tive debaixo da arvore de natal durante as semanas anteriores um embrulho também da minha rica sogra, em que na noite de natal desembrulhei toda contente e era seis postas de bacalhau seco, engoli em seco e agradeci, dá sempre jeito quer uma coisa quer outra....

05
Dez16

baldas ou trabalhos #15

lolita

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Sei que por esta altura devia estar a partilhar convosco o que sinto sobre o Natal, mas encontro-me tão oca, tão deprimida que vou continuar a falar sobre trabalhos (malas ou trabalhos #14).

Penso que sempre fui responsável, pensava que a única maneira de "ser alguém" era trabalhando, parva.

Mas quando estive a fazer telemarketing, houve um dia que ia de carro para o trabalho e a meio do caminho não aguentei a tristeza que sentia (hoje tenho orgulho do que fiz, porque não compreendo quem era essa rapariga que teve aquela coragem), mas simplesmente não me conseguia imaginar mais um dia ali fechada naquela cave escura e mal cheirosa a ligar para numero sem fim, e a meio do caminho continuei em frente, fui até Carcavelos, estacionei, comprei uma revista, sentei-me numa esplanada, onde bebi um sumo e li a revista e senti-me uma pessoa normal, viva, o mar sempre teve o poder de me restaurar as baterias e vê-lo faz com que renove a minha força, e senti o sol na pele, e cheirei o sal do mar, e senti-me bem, li a revista e sonhei, nem dei explicações porque é que tinha faltado, na realidade durante anos não contei isto a ninguém, foi um segredo só meu, mas acreditem, era o que eu precisava para no dia seguinte voltar ao mesmo trabalho.

Durante este trabalho houve muitas alturas complicadas, um dia tinha eu o carro avariado e sem dinheiro tive de pedir ajuda à minha mãe para comprar módulos e ir de autocarro, era complicado porque tinha de apanhar pelo menos dois e como saia de Lisboa, tinha de comprar dois módulos para ir e dois para vir, estava mesmo triste por ter de pedir dinheiro, mas era isso ou não ir trabalhar, e lá foi eu, sai do autocarro a sentir-me no fundo de um poço escuro sem luz à vista, e assim de cabeça baixa, não é que estava no chão uma nota de 5€, fiquei tão feliz parecia um sinal para ter força e não desistir.

A segunda e ultima vez que me baldei ao trabalho estava a trabalhar naquele sitio onde fiquei sete anos, mas no início tinha um colega complicado ele tinha a mania de me pregar sustos e eu já não aguentava muito mais, acreditem, andava tão desesperada com a responsabilidade do trabalho e com medo deste colega, que um dia cheguei a casa de um amiga e outra amiga fez-me uma supressa e apareceu de trás de uma porta, nem conseguem acreditam o que eu chorei, eu estava feliz pela supressa, mas o susto, aquelo susto ao final de um dia de tantos sustos, e foi um susto tão querido e inofensivo, mas que me ia matando porque eu já andava com os nervos à flor da pele.

Por isso no dia seguinte já quase a chegar ao trabalho vi dois carros mais à frente esse meu colega... e eu dei a volta á rotunda e voltei para casa, liguei a dizer que estava a sentir-me muito mal, devia ter comido qualquer coisa estragada e passei o resto do dia na cama a ver televisão e a dormitar, como com se estivesse um pouco doente, mas também foi o suficiente para eu carregar mas minhas baterias e no dia seguinte voltar com toda outra força, tanta que acabamos super amigos, e (já perceberam que sou muito chorona) mas não imaginam o que eu chorei quando ao fim de quatro anos a trabalhar juntos ele se foi embora, parecia que nunca mais nos íamos ver, mas aquele trabalho era intenso e como dizíamos um dia lá parecia muito mais do que oito horas e no fim eramos como colegas de batalha, ganhasse outra camaradagem que só quem passou pela batalha em questão consegue compreender.

Onde está essa rapariga que tinha coragem para fazer pausa?

Agora limito-me a ir e vir casa trabalho casa trabalho, inspirar expirar... onde está a parte do sonhar do acreditar da alegria?

 

02
Dez16

malas ou trabalhos #14

lolita

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Ainda no seguimento do ultimo post (as botas e outras coisas incluindo trabalhos #13), sendo eu como já expliquei uma moça pobre, tento andar arranjadinha o melhor que posso, sem poder comprar grandes marcas ou ter muita coisa.

Dito isto, quando comecei a trabalhar no meu ex., ex., ex-emprego, onde estive sete anos, apesar de ter entrado para lá a receber muito pouco, o local em si, era de outro nível, e as empresas que estavam nos 12 andares do edifício não tinham nada a ver com as caves onde antes tinha trabalhado, já para não falar que no prédio ao lado era de uma grande marca de produtos cosméticos, e só por isso toda a gente que lá trabalhava pareciam que iam desfilar para alguma passarela de moda. A coisa era tal que alguns colegas meus (do sexo masculino) um dia decidiram ir atrás de uma moça, só para continuar a vê-la andar, e acabaram por entrar do edifício sem que ninguém os impedisse, e com isto descobriram que a empresa tinha um café lá dentro que servia uns bolos espetaculares, já para não falar na vista (para eles) é claro. Assim que eles descobriam que podiam entrar e ir ao café, passaram e ir todos os dias e também eu fui com eles várias vezes, até terem descoberto que não trabalhávamos lá e não nos voltaram a deixar entrar.

Mas apesar de ter noção que o estilo das pessoas era completamente diferente do das pessoas que tinha trabalhado anteriormente, nunca que autoanalisei, até ao dia, que estava junto do segurança do edifício onde trabalhava e ele comenta "olha-me aquela pindérica, parece a rainha do mundo, mas anda sempre com a mesma mala". A minha primeira reação foi olhar melhor para o segurança, ele não me parecia o tipo de macho que olhasse para estes pormenores, mas puxando conversa ele lá argumentou que ela andava sempre de cabelo arranjado com roupas "xptó", mas que a mala era sempre a mesma. A mim continuava a fazer uma certa "espécie", mas existe problema em a mala ser sempre a mesma? Eu só tinha uma mala, quando a mala ficava demasiado velha lá comprava outra, mas pelos vistos era necessário ter mais do que uma, e segundo o mesmo segurança, a mala hoje em dia não necessita de condizer com os sapatos, afinal já não estamos no tempo das nossas avós que a mala preta se usava com os sapatos pretos e a castanha com os castanhos, hoje já não há só duas cores de malas e sapatos, há que ser original, mas com bom gosto e estar na moda...

Muito bem, lá foi eu na mesma noite comprar mais duas!

 

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